A leitura progressiva em Libras
Resumo
Resumo: Esta dissertação investiga a expressão da progressividade na Língua Brasileira de Sinais (libras) a partir de uma abordagem de semântica formal que integra estrutura lógica e iconicidade, denominada Semântica Iconológica. O objetivo central é demons trar que certos itens da Libras, ainda não plenamente categorizados na literatura, fun cionam como operadores semânticos de evento, cuja interpretação emerge da intera ção entre aspecto, tempo e propriedades icônicas da forma sinalizada. Com base em dados empíricos provenientes de vídeos públicos do YouTube, produções espontâ neas em WhatsApp e Instagram, bem como em julgamentos de aceitabilidade forne cidos por dois consultores nativos de libras, o trabalho analisa três operadores de progressividade: Prog-F, Prog-P e Prog-Pass. Esses itens são investigados quanto ao seu comportamento aspectual, temporal e composicional, bem como às restrições de classe acional dos predicados com os quais se combinam. Os resultados mostram que os operadores de progressividade em libras se associam preferencialmente a pre dicados de atividade, em conformidade com as generalizações de Rothstein (2004) para o progressivo em línguas orais. Além disso, os dados indicam que esses opera dores não codificam apenas aspecto, mas também contribuem para a interpretação temporal. Em particular, Prog-Pass foi consistentemente interpretado como um mar cador de presente perfeito progressivo, descrevendo eventos iniciados no passado e ainda relevantes no presente, sugerindo a existência de um item gramaticalizado para essa relação temporal na libras. Do ponto de vista morfossintático, os operadores PROG exibem o perfil de formas dependentes Câmara Jr (1970) e Basilio (2004): são morfologicamente autônomos, mas semanticamente e sintaticamente dependentes de um predicado verbal. Não se comportam como advérbios livres nem como afixos, mas como morfemas funcionais que realizam traços de tempo, aspecto e, em certos con textos, modalidade. No plano teórico, o trabalho articula a Hipótese da Visibilidade do Evento Wilbur (2008) com a proposta de Schlenker e Lamberton (2024), segundo a qual propriedades semânticas abstratas tornam-se composicionalmente acessíveis por meio de parâmetros icônicos da forma sinalizada. Assim, o espaço, a direção do movimento e o movimento repetido dos dedos são analisados como codificações icô nicas de relações temporais e aspectuais. Por fim, propõe-se uma reinterpretação de um dado de Finau (2004), argumentando que o item ali tratado como classificador temporal instancia, na verdade, um operador de progressividade Abstract: This dissertation investigates the expression of progressivity in Brazilian Sign Lan guage (libras) from a formal semantics approach that integrates logical structure and iconicity, called Iconological Semantics. The central objective is to demonstrate that certain items in libras, not yet fully categorized in the literature, function as semantic event operators, whose interpretation emerges from the interaction between aspect, time, and iconic properties of the signed form. Based on empirical data from public YouTube videos, spontaneous productions on WhatsApp and Instagram, as well as acceptability judgments provided by two native libras consultants, the work analyzes three progressivity operators: Prog-F, Prog-P, and Prog-Pass. These items are inves tigated regarding their aspectual, temporal, and compositional behavior, as well as the actional class restrictions of the predicates with which they combine. The results show that progressivity operators in libras (Brazilian Sign Language) are preferentially asso ciated with activity predicates, in accordance with Rothstein's (2004) generalizations for the progressive in oral languages. Furthermore, the data indicate that these opera tors not only encode aspect but also contribute to temporal interpretation. In particular, Prog-Pass was consistently interpreted as a marker of the present perfect progressive, describing events initiated in the past and still relevant in the present, suggesting the existence of a grammaticalized item for this temporal relation in libras. From a mor phosyntactic point of view, the PROG operators exhibit the profile of dependent forms Câmara Jr (1970) and Basilio (2004): they are morphologically autonomous but se mantically and syntactically dependent on a verbal predicate. They do not behave like free adverbs or affixes, but as functional morphemes that realize features of time, as pect, and, in certain contexts, modality. On a theoretical level, the work articulates Wil bur's (2008) Event Visibility Hypothesis with Schlenker and Lamberton (2024) propo sal, according to which abstract semantic properties become compositionally accessi ble through iconic parameters of the signed form. Thus, space, direction of movement, and the repeated movement of the fingers are analyzed as iconic codifications of tem poral and aspectual relations. Finally, a reinterpretation of a datum from Finau (2004) is proposed, arguing that the item treated there as a temporal classifier actually instan tiates a progressivity operator Resumo em Libras: QR Code disponível
Collections
- Dissertações [461]