De vegetal a objeto : a crítica colonial e a exploração global da natureza em A árvore que chora, de Vicki Baum
Resumo
Resumo: Esta dissertação analisa a obra A árvore que chora: o romance da borracha (1943), de Vicki Baum, a partir de uma perspectiva ecocrítica com ênfase na sua construção narrativa e no papel da borracha como eixo organizador. Parte-se da hipótese de que essa substância atua como um princípio estruturante, capaz de articular diferentes temporalidades e espaços e conectar contextos locais a dinâmicas globais associadas à modernidade industrial e colonial. A partir disso, investiga-se os aspectos formais do romance, como a fragmentação estrutural, a multiplicidade de vozes e os deslocamentos espaciais, entendendo-as como estratégias narrativas para tornar visíveis as relações entre a exploração humana e não humana. Desse modo, esta pesquisa dialoga com as contribuições de autores como Tsing et al. (2024), no que se refere à compreensão dos arranjos específicos inscritos no Antropoceno; Soentgen (2024), cujas reflexões sobre histórias materiais relacionam a borracha como uma substância que foi historicamente produzida por práticas locais e apropriada por regimes científicos e industriais; e Zapf (2016), com a análise da dimensão formal e funcional da narrativa literária à luz da ecologia cultural, sobretudo no que diz respeito às funções do metadiscurso crítico-cultural, contradiscurso imaginativo e interdiscurso reintegrativo, entendendo a literatura como um espaço de mediação entre cultura e natureza. Assim, este trabalho busca demonstrar como a literatura pode representar a exploração de uma substância como uma estrutura narrativa, uma forma de contar o mundo que precede as discussões contemporâneas sobre os efeitos destrutivos das múltiplas temporalidades da catástrofe. Justamente pela elaboração de um discurso ficcional que abarca movimentos intercontinentais em espaços de conflito histórico e de possibilidade crítica, dado que se utiliza deles como instrumento para revelar as estruturas persistentes da violência colonial e capitalista, podemos considerá-lo como um dos primeiros romances antropocênicos. Por fim, este estudo tenciona se inserir como uma contribuição ao campo emergente sobre histórias materiais, sob o argumento de que a análise de estruturas narrativas organizadas em torno de materiais específicos, a partir de perspectivas mais-que humanas, constitui um caminho relevante para compreender a crise ecológica contemporânea Abstract: This Master’s thesis presents an ecocritical perspective on Vicki Baum's novel The Weeping Wood (1943), with special attention to its narrative construction and the role of rubber as a pivotal organizing element. Rubber acts as a structuring principle, capable of articulating different temporalities and spatialities able to connect local contexts to the global dynamics of industrial and colonial modernity. The formal aspects of the novel are investigated through this lens: structural fragmentation, multiplicity of voices, and spatial displacements are narrative strategies that render visible the human and non-human exploitation. We dialogue with other authors such as Tsing et al. (2024), with regard to the specific arrangements of the Anthropocene; Soentgen (2024), whose reflections on material histories treat rubber as a substance that was historically produced by local practices but later appropriated by scientific and industrial regimes; and Zapf (2016), with his analysis of the formal and functional dimensions of literature in light of cultural ecology. As functions, critical-cultural meta discourse, imaginative counter-discourse and reintegrative inter-discourse position literature as a space of mediation between culture and nature. Literature can transform the exploitation of a substance in a narrative structure, creating a description of the world that precedes contemporary discussions about the destructive effects of the multiple temporalities of catastrophe. The Weeping Tree could thus be assessed as one of the first anthropocenic novels, precisely because it develops a fictional discourse that encompasses intercontinental movements in spaces of historical conflict and critical possibility, using them as an instrument to reveal the persistent structures of colonial and capitalist violence. This study also contributes to the emerging field of material histories, arguing that narrative structures organized around specific materials, thereby engaging more-than-human perspectives, provide a meaningful path toward understanding the contemporary ecological crisis
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