Fragmentos do azul : incompletude, relações e escolhas em Azul Cobalto, de Maria Teresa Horta
Resumo
Resumo: Esta dissertação investiga a obra Azul Cobalto (2014), de Maria Teresa Horta, analisando as relações entre fragmentação, corpo e linguagem na construção de subjetividades femininas. A pesquisa demonstra como a linguagem poética da autora portuguesa opera enquanto gesto de resistência estética e política, produzindo formas de expressão alheias à lógica racional, normativa ou linear. Estruturado em cinco eixos: a fragmentação como forma e ética; o corpo como território simbólico; o desejo e o silêncio como motores de transgressão; a solidão como condição existencial; e a cor azul como operador de afetos, o trabalho percorre um método que conduz, gradualmente, do aparato teórico ao encontro com o texto literário em sua dimensão de performance. Nesse percurso, a análise revela que Maria Teresa Horta subverte a cor, transformando o azul em um princípio de insurreição textual e destino simbólico. O corpo feminino manifesta-se enquanto meio de inscrição, memória e transgressão, emergindo em superfícies sensíveis que recusam a integridade representativa. A partir do diálogo com as contribuições de Jacques Rancière, Florencia Garramuño, Julia Kristeva, Judith Butler e Michel Foucault, entre outros, a obra é lida como uma constelação narrativa. Trata-se de um conjunto de fragmentos interconectados por afinidades sensíveis que, ao suspender significados fixos, permite a produção de novos sentidos através do ato da leitura. Ao final, a dissertação assume a própria fragmentação como parte da escrita, assemelhando-se a um processo de afinação que busca a ressonância da voz da autora, consolidando-se como uma experiência crítica implicada e em estado de abertura Abstract: This dissertation investigates the work Azul Cobalto (2014) by Maria Teresa Horta, analyzing the relationships between fragmentation, body, and language in the construction of female subjectivities. The research demonstrates how the poetic language of the Portuguese author operates as a gesture of aesthetic and political resistance, producing forms of expression that diverge from rational, normative, or linear logic. Structured around five axes: fragmentation as form and ethics; the body as symbolic territory; desire and silence as engines of transgression; solitude as an existential condition; and the color blue as an operator of affects, the study follows a method that gradually moves from a theoretical framework toward an encounter with the literary text in its performative dimension. Throughout this process, the analysis reveals that Maria Teresa Horta subverts color, transforming blue into a principle of textual insurrection and a symbolic destiny. The female body emerges as a medium of inscription, memory, and transgression, appearing in sensitive surfaces that resist representational integrity. Drawing on the contributions of Jacques Rancière, Florencia Garramuño, Julia Kristeva, Judith Butler, and Michel Foucault, among others, the work is read as a narrative constellation: a set of fragments interconnected through affective affinities that, by suspending fixed meanings, allows for the production of new meanings through the act of reading. In its final movement, the dissertation assumes fragmentation as part of its own writing process, resembling an act of attunement that seeks the resonance of the author’s voice, ultimately consolidating itself as a critically engaged and open-ended experience
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