Integração de produtores rurais convencionais nas cadeias de produção de proteínas alternativas : um estudo a partir da perspectiva da resiliência e da transição justa
Resumo
Resumo: Este estudo analisa como a resiliência de produtores rurais brasileiros, construída a partir de crises anteriores, pode contribuir para sua integração às cadeias de produção de proteínas alternativas sob a perspectiva da transição justa e da resiliência, considerando as estratégias de resistência, adaptação e transformação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, desenvolvida em duas fases. Na primeira, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 14 pequenos produtores rurais atuantes na produção de proteínas de origem animal, localizados em diferentes regiões do Brasil, com o objetivo de identificar choques, desafios e estratégias desenvolvidas ao longo de suas trajetórias produtivas. Na segunda fase, entrevistaram-se 13 especialistas com atuação acadêmica, técnica e institucional nas áreas de desenvolvimento rural, sustentabilidade e sistemas agroalimentares, buscando analisar barreiras e oportunidades associadas à inserção desses produtores nas cadeias de proteínas alternativas. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo, à luz das abordagens de resiliência e transição justa. Os resultados evidenciam que os produtores enfrentam desafios estruturais recorrentes, como instabilidade de preços, insegurança econômica, fragilidade das políticas públicas, choques climáticos e dificuldades de sucessão rural, aos quais respondem mobilizando estratégias econômicas, produtivas, ambientais e sociais que sustentam capacidades de resistência e adaptação. Contudo, tais capacidades mostram-se limitadas para enfrentar, de forma isolada, os desafios estruturais e tecnológicos das cadeias emergentes de proteínas alternativas. Assim, nossos resultados sugerem que, embora a resiliência de produtores rurais possa ser um importante ponto de partida, a integração de produtores depende menos da disposição individual para a mudança e mais do desenho institucional da transição, da coordenação de políticas públicas, da criação de mercados, da mediação tecnológica e do reconhecimento político e simbólico desses atores. Conclui-se que a resiliência, embora fundamental para a permanência e adaptação dos produtores, não garante, por si só, uma transição justa, sendo necessário que processos deliberados de redistribuição, reconhecimento e participação convertam capacidades existentes em oportunidades concretas de inserção produtiva Abstract: This study analyzes how the resilience of Brazilian rural producers, built through previous crises, may contribute to their integration into alternative protein value chains from the perspective of just transition and resilience, considering strategies of resistance, adaptation, and transformation. It is a qualitative, exploratory study conducted in two phases. In the first phase, semi-structured interviews were carried out with 14 small-scale rural producers engaged in animal-based protein production, located in different regions of Brazil, with the aim of identifying shocks, challenges, and strategies developed throughout their productive trajectories. In the second phase, 13 experts with academic, technical, and institutional experience in the fields of rural development, sustainability, and agrifood systems were interviewed to analyze the barriers and opportunities associated with the integration of these producers into alternative protein value chains. Data were analyzed using content analysis, informed by the resilience and just transition frameworks. The results show that producers face recurring structural challenges, such as price instability, economic insecurity, fragile public policies, climate shocks, and difficulties related to rural succession. In response, they mobilize economic, productive, environmental, and social strategies that sustain capacities for resistance and adaptation. However, these capacities prove insufficient, when acting in isolation, to address the structural and technological challenges of emerging alternative protein chains. Thus, our findings suggest that although rural producers’ resilience can represent an important starting point, their integration depends less on individual willingness to change and more on the institutional design of the transition, the coordination of public policies, market creation, technological mediation, and the political and symbolic recognition of these actors. The study concludes that resilience, while fundamental to producers’ persistence and adaptation, does not in itself guarantee a just transition; deliberate processes of redistribution, recognition, and participation are required to transform existing capacities into concrete opportunities for productive inclusion
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