Além do QI : liderança, saúde mental e mediações organizacionais na inclusão de profissionais com altas habilidades/superdotação
Resumo
Resumo: Este estudo examina como adultos com Altas Habilidades/Superdotação (AHSD) vivenciam contextos organizacionais contemporâneos, buscando identificar as mediações organizacionais sob as quais seu potencial se converte em desenvolvimento e engajamento ou, inversamente, em sofrimento psíquico e retração. Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada na análise temática-categorial de dez entrevistas com profissionais adultos identificados com AHSD, articulada à Teoria da Complexidade (Morin) e à Teoria das Inteligências Múltiplas (Gardner). Os resultados evidenciam que reconhecimento, segurança psicológica, estilos de liderança e cultura organizacional operam como mediações decisivas entre potencial e experiência laboral. Ambientes que legitimam a diversidade cognitiva favorecem engajamento, inovação e sustentabilidade psíquica, enquanto contextos marcados por homogeneização, invisibilidade simbólica e controle intensificam vulnerabilidades emocionais, subutilização do potencial e risco de adoecimento. Como contribuição central, o estudo evidencia que a sustentabilidade da superdotação adulta no trabalho depende menos de atributos individuais e mais da qualidade das mediações organizacionais (reconhecimento, liderança, cultura e segurança psicológica). O estudo reposiciona, assim, a superdotação adulta como campo legítimo de investigação da Psicologia Organizacional e propõe um modelo integrativo de suporte derivado dos achados empíricos, oferecendo um arcabouço conceitual e operacional para orientar intervenções multiníveis (individual–relacional–institucional) Abstract: This study examines how adults with Giftedness/High Abilities (HA/G) experience contemporary organizational contexts and identifies the organizational mediations under which cognitive potential translates into professional development and engagement or, conversely, into psychological distress and withdrawal. This qualitative research is based on thematic-categorical analysis of ten interviews with professionals identified as HA/G, theoretically informed by Complexity Theory (Morin) and the Theory of Multiple Intelligences (Gardner). Findings indicate that recognition dynamics, psychological safety, leadership styles, and organizational culture operate as decisive mediations linking potential to lived work experience. Contexts that legitimize cognitive diversity tend to foster engagement, innovation, and psychological sustainability, whereas environments marked by homogenization, symbolic invisibility, and control intensify emotional vulnerabilities, underutilization of potential, and risk of psychological strain. As a central contribution, the study demonstrates that sustaining adult giftedness at work depends less on individual attributes and more on the quality of organizational mediations (recognition, leadership, culture, and psychological safety). It therefore repositions adult giftedness as a legitimate field of inquiry within Organizational Psychology and proposes an integrative support model derived from empirical findings, offering a conceptual and operational framework to guide multilevel interventions (individual–relational–institutional)