ESG e sustentabilidade no agronegócio brasileiro : o papel das políticas públicas e governança setorial
Resumo
Resumo: O agronegócio brasileiro ocupa posição estratégica na economia nacional e no comércio internacional, mas enfrenta crescentes exigências socioambientais, regulatórias e reputacionais. Nesse contexto, a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) tem se consolidado como referência para a avaliação da sustentabilidade e da governança no setor. O presente estudo tem como objetivo analisar a incorporação dos princípios ESG no agronegócio brasileiro, com ênfase na pecuária de corte, examinando o papel das políticas públicas, dos instrumentos institucionais e das iniciativas do setor privado. A metodologia adotada baseou-se em revisão bibliográfica e documental de fontes acadêmicas e institucionais. Os resultados indicam que o país dispõe de capacidades técnicas e programas estruturados — como políticas de agricultura de baixa emissão de carbono — que favorecem a conciliação entre produtividade e sustentabilidade. Contudo, a efetividade dessa agenda depende da capacidade de implementação, da coordenação institucional e do acesso dos produtores a financiamento e assistência técnica, especialmente entre pequenos e médios estabelecimentos. Observa-se também que a adoção isolada de práticas ambientais não garante desempenho ESG elevado, exigindo integração entre os pilares ambiental, social e de governança. Destaca-se ainda a necessidade de mecanismos de monitoramento e verificação para reduzir riscos de greenwashing e assegurar credibilidade às iniciativas. Conclui-se que a consolidação do ESG no agronegócio requer atuação articulada entre Estado, setor privado e produtores, com foco em governança, transparência e inclusão Abstract: Brazilian agribusiness holds a strategic position in the national economy and in international trade, but faces increasing socio-environmental, regulatory, and reputational demands. In this context, the ESG (Environmental, Social and Governance) agenda has become a key reference for assessing sustainability and governance practices in the sector. This study aims to analyze the incorporation of ESG principles in Brazilian agribusiness, with emphasis on the beef cattle sector, examining the role of public policies, institutional instruments, and private sector initiatives. The methodology was based on a bibliographic and documentary review of academic and institutional sources. The results indicate that the country has technical capabilities and structured programs — such as low-carbon agriculture policies — that support the alignment between productivity and sustainability. However, the effectiveness of this agenda depends on implementation capacity, institutional coordination, and producers’ access to financing and technical assistance, especially among small and medium-sized operations. The findings also show that the isolated adoption of environmental practices does not ensure high ESG performance, highlighting the need for integration across environmental, social, and governance pillars. The study further emphasizes the importance of monitoring and verification mechanisms to reduce greenwashing risks and ensure the credibility of reported initiatives. It concludes that consolidating ESG in agribusiness requires coordinated action among government, the private sector, and producers, with a focus on governance, transparency, and inclusion