Por trás da missão : explorando o bem-estar e o mal-estar nas trajetórias de empreendedores sociais
Resumo
Resumo: O empreendedorismo social é frequentemente associado a narrativas de propósito, impacto e transformação social. No entanto, essas trajetórias também são atravessadas por dilemas, renúncias e desafios emocionais pouco visibilizados. O objetivo deste estudo é analisar como se configuram o bem-estar e o mal-estar nas experiências de empreendedores sociais, bem como identificar seus principais determinantes. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em estudo de casos múltiplos, com dados coletados por meio de 15 entrevistas semiestruturadas realizadas com fundadores(as) de iniciativas sociais em atividade. A análise dos dados foi conduzida por meio de análise de conteúdo. Os resultados evidenciam a coexistência entre bem-estar e mal-estar nas experiências empreendedoras, marcada por sentidos de propósito, realização e impacto social, simultaneamente a sobrecargas emocionais, inseguranças financeiras e tensões institucionais. Conclui se que a dimensão emocional é constitutiva do empreendedorismo social, demandando políticas, práticas de apoio e estratégias institucionais mais sensíveis ao cuidado com a saúde psicológica desses empreendedores, reconhecendo a complexidade humana que sustenta a missão social Abstract: Social entrepreneurship is often associated with narratives of purpose, impact, and social transformation. However, these trajectories are also marked by dilemmas, sacrifices, and emotional challenges that are rarely made visible. The objective of this study is to analyse how well-being and ill-being are configured in the experiences of social entrepreneurs, as well as to identify their main determinants. The research adopts a qualitative approach based on a multiple case study design, with data collected through 15 semi-structured interviews conducted with founders of active social initiatives. Data analysis was carried out using content analysis. The results reveal the coexistence of well-being and ill-being within entrepreneurial experiences, characterised by senses of purpose, fulfilment, and social impact, alongside emotional overload, financial insecurity, and institutional tensions. The study concludes that the emotional dimension is constitutive of social entrepreneurship, requiring policies, support practices, and institutional strategies that are more sensitive to the psychological well-being of these entrepreneurs, recognising the human complexity that underpins their social mission
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