Evasão ou expulsão? : os marcadores sociais da diferença nas narrativas da exclusão e políticas educacionais do Estado do Paraná
Resumo
Resumo: A pesquisa organizada nesta tese se propôs a analisar os processos de exclusão escolar no ensino básico no estado do Paraná, problematizando a noção de "abandono escolar" a partir do conceito de expulsão escolar. A pergunta que orienta a pesquisa é: em que medida as políticas de combate aos preconceitos e de acolhimento das diferenças contribuem para a redução da infrequência e da exclusão escolar? Parte-se do entendimento de que a saída de jovens da escola não pode ser explicada apenas por decisões individuais, mas deve ser compreendida no interior de relações sociais, políticas e institucionais atravessadas por marcadores de classe, raça, gênero e sexualidade. O objetivo central consiste em analisar como esses marcadores sociais da diferença se manifestam nos discursos institucionais da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) e nas narrativas de estudantes que tiveram suas trajetórias escolares interrompidas. Como objetivos específicos, busca-se examinar documentos oficiais e materiais de formação docente produzidos pela SEED-PR, bem como compreender, a partir de entrevistas, as experiências de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que retornaram à escolarização após processos de exclusão. A pesquisa fundamenta-se no referencial teórico foucaultiano, especialmente nos conceitos de poder-saber-verdade e governamento, articulados à perspectiva da interseccionalidade. Metodologicamente, combina análise documental com entrevistas focalizadas, permitindo tensionar os discursos oficiais com as narrativas das e dos estudantes. Os resultados indicam que, embora haja ampliação do acesso à educação, a permanência escolar segue sendo um desafio, especialmente para os corpos marcados por desigualdades estruturais. Observa-se a recorrência de discursos meritocráticos que individualizam a responsabilidade pela exclusão e a diluição de políticas voltadas ao enfrentamento das violências de gênero, raça e sexualidade. As narrativas evidenciam que a escola pode operar como dispositivo de normalização e controle, contribuindo para a produção de hierarquias sociais e para a expulsão simbólica e material de determinados corpos Abstract: This research analyzes processes of school exclusion in basic education in the state of Paraná, Brazil, critically problematizing the notion of "school dropout" through the concept of school expulsion. The guiding research question is: to what extent do policies aimed at combating prejudice and promoting the inclusion of differences contribute to reducing school absenteeism and exclusion? The study is grounded in the understanding that students’ departure from school cannot be explained solely by individual decisions, but must be examined within social, political, and institutional relations shaped by the intersecting markers of class, race, gender, and sexuality. The main objective is to analyze how these social markers of difference are articulated in the institutional discourses of the Paraná State Department of Education (SEED-PR) and in the narratives of students whose educational trajectories were interrupted. As specific objectives, the research examines official documents and teacher training materials produced by SEED-PR, as well as investigates, through interviews, the experiences of students enrolled in Youth and Adult Education (EJA) who returned to schooling after processes of exclusion. The study is theoretically grounded in a Foucauldian framework, particularly the concepts of power–knowledge–truth and governmentality, articulated with an intersectional perspective. Methodologically, it combines documentary analysis with focused interviews, enabling a critical tension between official discourses and students’ lived narratives. The findings indicate that, despite the expansion of access to education, school retention remains a significant challenge, especially for bodies marked by structural inequalities. Meritocratic discourses that individualize responsibility for exclusion are recurrent, alongside the dilution of policies addressing gender-, race-, and sexuality-based violence. The narratives reveal that the school may function as a device of normalization and control, contributing to the production of social hierarchies and to the symbolic and material expulsion of certain bodies
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- Teses [518]