Códigos da discriminação : o jornalismo contra a ameaça dos algoritmos
Resumo
Resumo: A presente monografia analisa os impactos sociopolíticos da discriminação algorítmica na esfera pública, investigando o papel do jornalismo como instância de fiscalização diante da opacidade das infraestruturas de inteligência artificial. O objetivo central é compreender como vieses raciais e sociais são convertidos em parâmetros matemáticos de decisão e discutir a viabilidade do Algorithmic Accountability Reporting (reportagem de auditoria algorítmica) como ferramenta de resistência. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, combinando revisão bibliográfica e análise documental. A fundamentação teórica articula os estudos críticos de dados com o pensamento social brasileiro, mobilizando conceitos como racismo algorítmico e tecnochauvinismo para demonstrar que a tecnologia não é neutra, mas atua na reprodução de desigualdades estruturais, especialmente em contextos de segurança pública e acesso a direitos. O trabalho utiliza o caso da "Muralha Digital" de Curitiba para ilustrar a tensão entre discursos de inovação e a realidade da vigilância massiva. Os resultados apontam que a automação acrítica nas redações agrava a precarização do trabalho e amplia a dependência de plataformas proprietárias, ameaçando a autonomia jornalística. Conclui-se que a sobrevivência da profissão depende de uma reconfiguração metodológica: é imperativo que o jornalismo transite da posição de usuário para a de auditor de caixas-pretas. Defende-se a adoção de técnicas de engenharia reversa e a exigência de transparência algorítmica como compromissos essenciais para a defesa dos direitos humanos e a manutenção da democracia na era da automação Abstract: This monograph analyzes the sociopolitical impacts of algorithmic discrimination in the public sphere, investigating the role of journalism as a watchdog regarding the opacity of artificial intelligence infrastructures. The main objective is to understand how racial and social biases are converted into mathematical decision-making parameters and to discuss the viability of Algorithmic Accountability Reporting as a resistance tool. The research adopts a qualitative and exploratory approach, combining bibliographic review and documentary analysis. The theoretical framework articulates critical data studies with brazilian social thought, mobilizing concepts such as algorithmic racism and technochauvinism to demonstrate that technology is not neutral but acts in the reproduction of structural inequalities, especially in contexts of public security and access to rights. The work uses the case of the "Digital Wall" in Curitiba to illustrate the tension between innovation discourses and the reality of massive surveillance. The results indicate that uncritical automation in newsrooms aggravates labor precarization and expands dependence on proprietary platforms, threatening journalistic autonomy. It is concluded that the survival of the profession depends on a methodological reconfiguration: it is imperative that journalism transitions from the position of user to that of auditor of black boxes. The adoption of reverse engineering techniques and the demand for algorithmic transparency are defended as essential commitments for the defense of human rights and the maintenance of democracy in the automation era
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- Jornalismo [447]