Blockchain na cadeia da soja : rastreabilidade para regulamentação sobre produtos livres de esmatamento da União Europeia
Resumo
Resumo: A demanda global por produtos agrícolas sustentáveis, somada a regulamentações como a de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) da União Europeia, impõe novas exigências à cadeia de suprimentos da soja brasileira. A EUDR, com vigência a partir de dezembro de 2025, requer que as empresas demonstrem a ausência de desmatamento em áreas de produção após 31 de dezembro de 2020. A União Europeia é um destino relevante para a soja brasileira, respondendo por aproximadamente 13% das exportações em 2024, o que equivale a uma receita de cerca de US$ 7 bilhões. A estrutura da cadeia de suprimentos da soja, que envolve múltiplos atores e etapas como beneficiamento, transporte e a mistura de grãos de diferentes procedências, dificulta a rastreabilidade do produto. Para atender às regras da EUDR, torna-se necessária a implementação de sistemas que assegurem a origem e as condições socioambientais da produção. Neste contexto, o sensoriamento remoto é apresentado como uma ferramenta para verificação e monitoramento de grandes extensões geográficas, permitindo a identificação de alterações no uso do solo. Adicionalmente, a utilização da tecnologia blockchain é proposta para aumentar a transparência e a confiabilidade da rastreabilidade, criando um registro descentralizado e imutável que integra os dados coletados por sensoriamento remoto com as informações de produção e logística. A integração destas tecnologias pode ser estruturada através de uma arquitetura de múltiplas camadas, baseado no modelo Human-Cyber-Physical Systems (H-CPS), que organiza o fluxo de informações desde a coleta de dados no campo até a validação pelo usuário, utilizando contratos inteligentes (smart contracts) para automatizar as regras de negócios e as interações entre os participantes da cadeia Abstract: The global demand for sustainable agricultural products, coupled with regulations such as the European Union's Deforestation-Free Regulation (EUDR), imposes new requirements on the Brazilian soy supply chain. The EUDR, effective from December 2025, requires companies to demonstrate the absence of deforestation in production areas after December 31, 2020. The European Union is a relevant destination for Brazilian soy, accounting for approximately 13% of exports in 2024, which is equivalent to a revenue of about US$7 billion. The structure of the soy supply chain, which involves multiple actors and stages such as processing, transportation, and the mixing of grains from different origins, hinders product traceability. To comply with EUDR regulations, it becomes necessary to implement systems that ensure the origin and socio-environmental conditions of production. In this context, remote sensing is presented as a tool for verifying and monitoring large geographical areas, enabling the identification of changes in land use. Additionally, the use of blockchain technology is proposed to increase the transparency and reliability of traceability by creating a decentralized and immutable ledger that integrates data collected by remote sensing with production and logistics information. The integration of these technologies can be structured through a multi-layered architecture, based on the Human-Cyber-Physical Systems (H-CPS) model, which organizes the flow of information from data collection in the field to user validation, using smart contracts to automate business rules and interactions among chain participants
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