A INSERÇÃO PRECOCE DO ESTUDANTE DE MEDICINA NA COMUNIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA FORMAÇÃO HUMANIZADA.
Data
2020-07-31Autor
DANYELLE SOARES GOUVEIA DA SILVA
MATHEUS SILVA DUARTE DE OLIVEIRA
WLADIMIR NUNES PINHEIRO
GABRIELLA BARRETO SOARES
Metadata
Mostrar registro completoResumo
Introdução: O contato com o usuário e o cuidado humanizado são princípios fundamentais da prática médica, apesar de não serem devidamente explorados nas graduações em muitas instituições. Diante disso, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) propicia aos estudantes de medicina, desde o primeiro período, uma formação voltada ao Sistema Único de Saúde, os colocando no cenário de prática junto à comunidade. O currículo, em vigor desde 2008, é modular, sendo o MHA1 o módulo responsável pela inserção precoce no território de abrangência e nas Unidades de Saúde da Família (USFs) da periferia da capital paraibana, impactando positivamente na formação desses futuros profissionais de saúde. Objetivo: Relatar a experiência dos estudantes do primeiro período de medicina na disciplina MHA1 da UFPB. Material e Métodos: Trata-se de um relato de experiência a cerca das atividades desenvolvidas na disciplina MHA1 durante o primeiro período do curso de medicina, utilizando as reflexões dos portfólios construídos pelos estudantes no ano de 2019. Resultados: O módulo MHA1 conecta os estudantes às famílias e comunidade, seus modos de vida e suas necessidades de saúde em um determinado território, fundamental na compreensão dos atores sociais sobre o processo saúde/doença e suas estratégias de intervenção no setor saúde. Desse modo, durante o módulo, os alunos acompanham a família, realizam visitas semanalmente em grupos, buscam compreender a rotina familiar, sua estrutura, as questões de saúde, o território em que vivem e as suas relações sociais. Essa atividade leva ao questionamento inicial dos alunos, pois, geralmente, não possuem uma base técnica para realizar qualquer tipo de atendimento, surgindo, assim, a indagação de qual seria o papel do discente nessa disciplina. Ao longo do período, é exposto ao aluno seu papel como rede social de apoio da família acompanhada, além de como a realidade na qual estão inseridos influencia o processo saúde-doença da comunidade. Ademais, o valor da escuta qualificada, do diálogo e da compreensão das vivências dos indivíduos é percebido nos encontros semanais, notando-se que a prática não se limita – nem deve se limitar – ao conhecimento técnico e resolução das queixas de saúde. Outrossim, por meio das visitas semanais, os estudantes percebem a relação das famílias com as USFs e atuam no fortalecimento desse vínculo. Por fim, os reflexos das atividades executadas no primeiro período se perpetuam ao longo da graduação e prática médica do discente, resultados que dificilmente seriam atingidos somente pelos livros de Saúde Coletiva. Considerações Finais: Destarte, as atividades do MHA1 impactam positivamente na formação médica, propiciando aos estudantes a noção do indivíduo como um todo, não se limitando a uma doença. Assim, esses futuros médicos serão atentos à realidade do usuário, compreenderão sua inserção na família e no território e oferecerão um atendimento humanizado.