Um estudo de oito planos de política externa feminista a partir do feminismo decolonial
Resumo
Resumo: A presente dissertação propõe a análise de oito planos de Política Externa Feminista (PEF) elaborados por países do Norte Global, com o objetivo de investigar seus limites, contradições e possibilidades à luz do feminismo decolonial latino-americano. A pesquisa se ancora, particularmente, nos postulados de María Lugones, Ochy Curiel e Yuderkys Espinosa, cujas contribuições oferecem categorias críticas centrais, como a colonialidade do gênero, a crítica à universalização do sujeito "mulher", a violência epistêmica e a imposição de uma agenda global de gênero A partir da metodologia de Análise de Conteúdo, a investigação se desenvolve em duas etapas: inicialmente, uma sistematização das principais características dos planos — (i) ideia central de PEF; (ii) categorias de opressão mencionadas; (iii) focos de ação prioritários, além da análise de termos recorrentes; em seguida, uma interpretação dos dados coletados orientada pelas categorias do feminismo decolonial. Nesse sentido, a fim de aprofundar o objetivo central do trabalho, busca-se compreender as narrativas desenhadas pelos países do Norte Global a partir da proposição de uma PEF, averiguando até que ponto o discurso progressista reproduz hierarquias coloniais de poder e de saber. O estudo argumenta que a Política Externa Feminista, quando concebida a partir de parâmetros eurocêntricos, tende a contribuir para a manutenção de lógicas de dominação ao invés de desconstruí-las. Por fim, sugere-se que uma leitura decolonial abre caminhos para construir resistência desde o Sul Global, permitindo vislumbrar modelos de política externa atentos à pluralidade de experiências, capazes de provocar mudanças reais nas estruturas sociais Abstract: This dissertation proposes the analysis of eight Feminist Foreign Policy (FFP) plans developed by countries of the Global North, with the aim of investigating their limits, contradictions, and possibilities through the lens of Latin American decolonial feminism. The research is grounded in the works of María Lugones, Ochy Curiel, and Yuderkys Espinosa, whose contributions offer key critical categories such as the coloniality of gender, the critique of the universalization of the subject "woman," epistemic violence, and the imposition of a global gender agenda. Using content analysis as methodology, the investigation unfolds in two stages: first, a systematization of the main characteristics of the plans — (i) central idea of the PEF; (ii) categories of oppression mentioned; (iii) priority areas of action, in addition to the analysis of recurring terms; followed by an data interpretation guided by the categories of decolonial feminism. The research seeks to understand the narratives constructed by Global North countries through the proposition of an FFP, examining to what extent their progressive discourse reproduces colonial hierarchies of power and knowledge. The study argues that Feminist Foreign Policy, when conceived from Eurocentric parameters, tends to contribute to the maintenance of domination logics rather than dismantling them. Finally, it suggests that a decolonial perspective opens paths to build resistance from the Global South, enabling the envisioning of foreign policy models attentive to the plurality of experiences and capable of provoking real changes in social structures
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