Anestesia intravenosa total em onça-parda
Resumo
Resumo: A anestesia de felídeos selvagens, como a onça-parda (Puma concolor), apresenta desafios inerentes ao temperamento desses animais e à escassez de informações sobre parâmetros hemodinâmicos no período perianestésico. Neste contexto, dois estudos complementares foram conduzidos em onças-pardas submetidas a protocolos anestésicos padronizados, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a monitorização cardiovascular e a segurança da anestesia total intravenosa (AIVT). No primeiro trabalho, avaliou-se a confiabilidade da pressão arterial não invasiva, obtida pelo método oscilométrico, em comparação com a pressão invasiva aferida por cateterização da artéria podal. Foram registradas diferenças significativas entre os métodos, com valores inferiores para a pressão oscilométrica em relação à invasiva (PAS: 121,4 ± 23,7 vs 134,2 ± 24,8 mmHg; PAD: 77,0 ± 21,6 vs 86,0 ± 21,7 mmHg; PAM: 90,7 ± 21,3 vs 99,6 ± 21,7 mmHg). Apesar disso, a análise de regressão linear demonstrou correlação positiva e clinicamente relevante entre as pressões médias obtidas pelos dois métodos, indicando que a PAM oscilométrica pode ser utilizada como estimativa aceitável da PAM invasiva em onças pardas normotensas. No segundo estudo, os mesmos animais foram submetidos ao mesmo protocolo de contenção química e divididos em dois grupos experimentais, o grupo controle (PRK) e o grupo com lidocaína (PRK-L). Neste último, além do protocolo padrão, administrou se lidocaína intravenosa em bolus de 2 mg/kg seguida de infusão contínua de 3 mg/kg/h por 1 hora. Foram monitorados parâmetros fisiológicos, ecocardiográficos e hemogasométricos seriados. A associação com lidocaína promoveu reduções transitórias em algumas variáveis hemodinâmicas e ecocardiográficas, contudo, todos os valores permaneceram dentro de limites fisiológicos de normalidade, sem intercorrências clínicas relevantes. Esses achados contribuem para o aprimoramento dos protocolos anestésicos e da monitorização cardiovascular em felinos selvagens Abstract: Anesthesia in wild felids, such as the puma (Puma concolor), presents challenges due to the temperament of these animals and the scarcity of information regarding hemodynamic parameters in the perianesthetic period. In this context, two complementary studies were conducted in pumas subjected to standardized anesthetic protocols, aiming to expand knowledge on cardiovascular monitoring and the safety of total intravenous anesthesia (TIVA). In the first study, the reliability of non-invasive blood pressure, obtained by the oscillometric method, was evaluated in comparison with invasive pressure measured by catheterization of the pedal artery. Significant differences were observed between the methods, with lower values obtained by the oscillometric technique compared to the invasive method (SAP: 121.4 ± 23.7 vs 134.2 ± 24.8 mmHg; DAP: 77.0 ± 21.6 vs 86.0 ± 21.7 mmHg; MAP: 90.7 ± 21.3 vs 99.6 ± 21.7 mmHg). Nevertheless, linear regression analysis demonstrated a positive and clinically relevant correlation between mean pressures obtained by both methods, indicating that oscillometric MAP can be used as an acceptable estimate of invasive MAP in normotensive pumas. In the second study, the same animals were subjected to the same chemical restraint protocol and divided into two experimental groups: the control group (PRK) and the lidocaine group (PRK-L). In the latter, in addition to the standard protocol, lidocaine was administered intravenously as a bolus of 2 mg/kg followed by a continuous infusion of 3 mg/kg/h for 1 hour. Physiological, echocardiographic, and blood gas parameters were serially monitored. The association with lidocaine promoted transient reductions in some hemodynamic and echocardiographic variables; however, all values remained within physiological limits, with no clinically relevant complications. These findings contribute to the refinement of anesthetic protocols and cardiovascular monitoring in wild felids
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