Impacto da correção do escore de osso trabecular pela espessura da parede abdominal em pacientes com obesidade
Resumo
Resumo: Introdução: A osteoporose é caracterizada pela redução da densidade mineral óssea (DMO) e deterioração da microarquitetura, resultando em maior risco de fraturas. Embora a DMO, avaliada por absorciometria por dupla energia de raios X (DXA), seja o principal parâmetro diagnóstico, ela não reflete integralmente a qualidade óssea. Para complementar essa avaliação, o escore do osso trabecular (TBS) foi desenvolvido como ferramenta indireta para estimar a microarquitetura trabecular a partir das imagens da DXA da coluna lombar. Contudo, o TBS (versão 3.0) era suscetível à influência da espessura de partes moles, o que resultava na subestimação dos valores em indivíduos obesos. Para contornar essa limitação, a versão 4.0 do software TBS iNsight® introduziu uma correção automatizada baseada na espessura da parede abdominal, visando proporcionar uma avaliação mais precisa da qualidade óssea, especialmente em pacientes com maior adiposidade central. Objetivo: Avaliar o impacto da correção pela espessura da parede abdominal nos valores do TBS em mulheres com obesidade, comparando as versões 3.0 e 4.0 do software, bem como analisar a correlação entre o TBS, variáveis clínicas e demográficas, além de analisar a associação entre TBS, DMO e fraturas. Métodos: estudo transversal, unicêntrico, com análise retrospectiva de um banco de dados de pacientes com obesidade do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do HC-UFPR (SEMPR). Foram incluídas mulheres com 18 anos ou mais com diagnóstico de obesidade, atendidas no SEMPR e que realizaram exame de densitometria óssea. Dados demográficos (idade, raça, peso, altura e IMC), resultados dos exames de densitometria assim como a espessura da parede abdominal foram capturados diretamente do densitômetro (Lunar Prodigy Advance) foram coletados do prontuário. A DMO foi categorizada como normal, baixa massa óssea para idade, osteopenia e osteoporose. A avaliação do TBS, nas duas versões, foi realizada pela empresa Medimaps, (TBS iNsight® v3.0 e v 4.0; Medimaps Group, Geneva, Switzerland). Para a versão 3.0, foram aplicados os pontos de corte validados para a população latino americana, enquanto, para a versão 4.0, os limiares foram definidos a partir dos tercis da amostra total estudada. As pacientes foram avaliados individualmente e também divididas em dois grupos com base no IMC: < 37 kg/m² e = 37 kg/m². Resultados: 247 mulheres (59,2 ± 15 anos), maioria branca foram avaliadas. Os valores médios de TBS foram significativamente menores na versão 4.0 em comparação à 3.0 (1,286 ± 0,082 vs. 1,334 ± 0,081; p < 0,001). Essa diferença foi mais pronunciada nas pacientes com IMC = 37 kg/m² (1,258 ± 0,073 vs. 1,323 ± 0,075; p < 0,001) do que naquelas com IMC < 37 kg/m² (1,297 ± 0,085 vs. 1,338 ± 0,083; p < 0,001). A concordância entre as versões foi moderada (? = 0,49), com discordância em 34% dos casos e reclassificação (com a v 4.0) para pior categoria de qualidade trabecular em 19% das pacientes. O TBS v4.0 apresentou correlação positiva com a DMO da coluna lombar (r= 0,42; p < 0,001) e negativa com idade (r = –0,39; p < 0,001) e espessura da parede abdominal (r = –0,45; p < 0,001). Não houve diferença significativa entre TBS v4.0 e presença de fraturas (p = 0,27). Conclusão: A versão 4.0 do TBS iNsight®, ao incorporar correção direta pela espessura da parede abdominal, forneceu estimativas mais precisas da qualidade óssea em mulheres com obesidade, especialmente aquelas com IMC = 37 kg/m². Esses achados reforçam a importância de considerar a composição corporal na interpretação do TBS e demonstram a superioridade da versão corrigida na avaliação da microarquitetura trabecular em populações com elevada adiposidade abdominal Abstract:
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