Sementes de feno-grego (Trigonella foenum-graecum l.) na saúde humana : revisão de escopo
Resumo
Resumo: Contexto/Objetivos: O feno-grego (Trigonella foenum-graecum L.) é uma espécie vegetal amplamente utilizada como alimento, tempero e medicamento tradicional, destacando-se pelo elevado teor de fibras, aminoácidos, vitaminas e compostos bioativos, como saponinas, flavonoides e alcaloides. Apesar do uso tradicional, as evidências científicas sobre seus efeitos na saúde humana permanecem dispersas e heterogêneas. Diante disso, este estudo teve como objetivo mapear de forma sistematizada as evidências sobre os efeitos das sementes de feno-grego na saúde humana. Método: Uma revisão de escopo foi conduzida seguindo as diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e reportada conforme o PRISMA-ScR, com buscas nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science (atualizada em 06 de dezembro de 2025), além de Google Acadêmico e busca manual nas referências dos estudos incluídos. Foram incluídos estudos primários envolvendo seres humanos, contemplando qualquer forma de uso das sementes e quaisquer desfechos de saúde. Resultados: A estratégia resultou na inclusão de 105 estudos publicados entre 1986 e 2025, sendo a maior parte conduzido na Índia (37,1%), Irã (23,8%) e Estados Unidos (10,5%). Em relação às formas de intervenção, foram identificadas sementes inteiras (10,5%), germinadas (4,8%), em pó (29,5%), degomadas (0,95%), desengorduradas (4,8%), frações isoladas (1,9%), até extratos brutos (17,1%) e extratos padronizados, incluindo suplementações comerciais (27,6%). As sementes foram avaliadas em diferentes condições de saúde, incluindo síndrome dos ovários policísticos (5,7%), lactação (3,8%), menopausa (6,7%), dismenorreia (1,9%), doenças da cavidade oral (2,8%), doenças cardiometabólicas (47,6%), condições clínicas variadas (9,5%), além do seu uso em indivíduos saudáveis (24,7%). Observou-se um padrão mais consistente de benefícios em desfechos cardiometabólicos (glicemia, perfil lipídico, inflamação, estresse oxidativo) e hormonais (ciclicidade menstrual, sintomas climatéricos e marcadores anabólicos), além de efeitos analgésicos, anti inflamatórios, ergogênicos e potenciais ações neuroprotetoras. Em geral, o perfil de segurança mostrou-se favorável, com apenas um evento adverso grave relatado. Conclusão: As sementes de feno-grego apresentam potencial de aplicação em diferentes contextos de saúde, respaldado por mecanismos biológicos coerentes com sua composição química complexa. Entretanto, a heterogeneidade metodológica, a falta de padronização entre extratos, o uso de diferentes formas de preparo e a predominância de estudos de curta duração limitam a compreensão clara e precisa dos achados. Dessa forma, estudos futuros devem, principalmente, padronizar as intervenções, avaliar maior duração e explorar populações ainda pouco representadas, a fim de fundamentar potenciais alegações de saúde e aplicações clínicas Abstract: Background/Objectives: Fenugreek (Trigonella foenum-graecum L.) is a plant species widely used as a food, spice, and traditional medicine, notable for its high content of fiber, amino acids, vitamins, and bioactive compounds such as saponins, flavonoids, and alkaloids. Despite its traditional use, scientific evidence regarding its effects on human health remains scattered and heterogeneous. Therefore, this study aimed to systematically map the evidence on the effects of fenugreek seeds on human health. Methods: A scoping review was conducted following the Joanna Briggs Institute (JBI) guidelines and reported in accordance with PRISMA-ScR, with searches performed in the PubMed, Scopus, and Web of Science databases (updated on December 6, 2025), as well as in Google Scholar and through manual searches of the reference lists of the included studies. Primary studies involving humans were included, encompassing any form of fenugreek seed use and any health-related outcomes. Results: The search strategy resulted in the inclusion of 105 studies published between 1986 and 2025, with most studies conducted in India (37.1%), Iran (23.8%), and the United States (10.5%). Regarding the intervention forms, whole seeds (10.5%), germinated seeds (4.8%), powdered seeds (29.5%), degummed seeds (0.95%), defatted seeds (4.8%), isolated fractions (1.9%), as well as crude extracts (17.1%) and standardized extracts, including commercial supplements (27.6%), were identified. The seeds were evaluated under different health conditions, including polycystic ovary syndrome (5,7%), lactation (3,8%), menopause (6,7%), dysmenorrhea (1,9%), oral cavity diseases (2,8%), cardiometabolic diseases (47,6%), various clinical conditions (9,5%), and use in healthy individuals (24,7%). A more consistent pattern of benefits was observed for cardiometabolic outcomes (glycemia, lipid profile, inflammation, and oxidative stress) and hormonal outcomes (menstrual cyclicity, climacteric symptoms, and anabolic markers), in addition to analgesic, anti inflammatory, ergogenic, and potential neuroprotective effects. Overall, the safety profile was favorable, with few serious adverse events reported. Conclusion: Fenugreek seeds show potential for application in different health contexts, supported by biological mechanisms consistent with their complex chemical composition. However, methodological heterogeneity, lack of standardization among extracts, use of different preparation forms, and the predominance of short-term studies limit the clear and precise understanding of the findings. Therefore, future studies should primarily focus on standardizing interventions, conducting longer-term trials, and exploring underrepresented populations to support potential health claims and clinical applications
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