Autotextualidade e intratextualidade como processos composicionais em obras de Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
Resumo
Resumo: Esta tese foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Trata-se de uma pesquisa no campo da intertextualidade, tendo como objeto de análise as obras de Heitor Villa-Lobos. A intertextualidade tem sido o foco de diversos estudos na área da música nos últimos anos, e a própria obra de Villa-Lobos já foi contemplada por variados trabalhos analíticos sob esse enfoque. No entanto, neste estudo adota-se uma perspectiva distinta: considerando a multiplicidade criativa de Villa-Lobos e o hábito que o compositor tinha de reutilizar seus próprios materiais sonoros, a pesquisa volta-se para os fenômenos da intratextualidade e da autotextualidade — isto é, quando um autor cita a si mesmo, seja em peças pertencentes a um mesmo corpus (no primeiro caso) ou em obras distintas (no segundo). Dessa forma, busca-se demonstrar que tanto a autotextualidade quanto a intratextualidade configuram-se como processos composicionais empregados com frequência por Villa-Lobos. Para sustentar as discussões sobre intertextualidade em um sentido mais amplo, no campo da teoria literária, recorrem-se a autores como Julia Kristeva (2012 [1969]) e Gérard Genette (1992) — este último ao adotar o termo transtextualidade. No que diz respeito às abordagens da intertextualidade aplicada à música, são referências fundamentais Joseph Straus (1990) e Kevin Korsyn (1991). Também são considerados autores que discutem os conceitos de intratextualidade e autotextualidade, entre eles Paulo Sérgio Vasconcelos (2001) e Cecilia Ugartemendía (2017). Os resultados indicam que, devido à recorrência das autocitações em diversas obras, a autotextualidade e a intratextualidade configuram-se como processos composicionais característicos da produção de Villa-Lobos Abstract: This thesis was developed within the Graduate Program in Music at the Federal University of Paraná (UFPR). It is a study in the field of intertextuality, focusing on the works of Heitor Villa-Lobos. Intertextuality has been the subject of numerous musicological studies in recent years, and Villa-Lobos’s oeuvre itself has been examined from this perspective by various analytical works. However, this research adopts a distinct approach: considering Villa-Lobos’s creative multiplicity and his habit of reusing his own sonic materials, the study turns to the phenomena of intratextuality and self-textuality—that is, instances in which an author cites himself, either within works belonging to the same corpus (in the first case) or across distinct compositions (in the second). In this way, the study aims to demonstrate that both autotextuality and intratextuality function as compositional processes frequently employed by Villa-Lobos. To support the broader theoretical discussion of intertextuality, the research draws on literary theorists such as Julia Kristeva (2012 [1969]) and Gérard Genette (1992), the latter introducing the notion of transtextuality. Regarding approaches to intertextuality in music, key references include Joseph Straus (1990) and Kevin Korsyn (1991). The study also engages with authors who discuss intratextuality and self-textuality, including Paulo Sérgio Vasconcelos (2001) and Cecilia Ugartemendía (2017). The findings indicate that, due to the recurrence of self-quotations across numerous compositions, self-textuality and intratextuality can be understood as characteristic compositional strategies in Villa-Lobos’s creative output
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