Estratégias de forrageio de quatro espécies de aves estuarinas que habitam uma área de baixio lodoso em Cananéia, sul do estado de São Paulo
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Data
2024Autor
Santos, Sophia Saletti Cardoso dos
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Resumo: Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de analisar as estratégias de forrageio de quatro espécies de aves estuarinas: Ardea alba (garça-branca-grande), Egretta thula (garça-branca-pequena), Egretta caerulea (garça-azul) e Eudocimus ruber (guará). As estratégias de forrageio das espécies foram comparadas usando três taxas: esforço (bicadas totais divididas pelo número de passos), eficiência (bicadas bem sucedidas divididas pelo número de passos) e sucesso (bicadas bem sucedidas divididas pela bicadas totais). As amostragens foram realizadas no baixio da Brocuanha, na cidade de Cananéia, no litoral sul do estado de São Paulo. Foram realizadas expedições para a observação dos indivíduos entre os meses de março e julho de 2024. Para as análises dos índices de forrageio foram utilizados testes de Kolmogorov-Smirnov para aferir a normalidade dos dados, assim como o teste de Kruskall-Wallis para comparar as amostras e o teste de Dunn como post hoc para as comparações um a um. Os resultados das comparações indicam maior esforço de forrageio por parte do guará e o menor por parte da garça-branca-grande, sugerindo uma maior quantidade de tentativas por passos realizados pelo guará, que utiliza o bico com mecanorreceptores e olhos voltados para a ponta do bico como estratégia de forrageio tátil conhecida por "tentativa". Já a garça-branca-grande possui estratégia de forrageio caracterizada pelo método "stand-and-wait", com baixo deslocamento e poucas tentativas. O guará também apresentou a maior eficiência de forrageio, com alto número de bicadas bem-sucedidas por quantidade de passos, o que evidencia sua estratégia de forrageio sobre presas pequenas. A garça-branca grande apresentou menor taxa de eficiência considerando sua estratégia de forrageio e sua dieta composta por presas de maior porte, de modo que poucas capturas são capazes de suprir sua necessidade energética. A garça-branca pequena e a garça-azul apresentaram taxas de eficiência quase idênticas, apesar de possuírem estratégias de forrageio e dieta diferentes, o que pode ser explicado pelo fato de forragearem em diferentes micro-ambientes do baixio, fator que não foi considerado nas análises. A garça-azul apresentou a maior taxa de sucesso, o que pode ser explicado pela sua alta quantidade de tentativas bem-sucedidas necessárias para que seja suprido o seu gasto energético, semelhante ao que ocorre com o guará. A menor taxa de sucesso está associada à garça-branca grande, fato que não era esperado considerando sua alta precisão de captura observada durante as amostragens, contudo, a aparente seleção por presas maiores pode ser responsável por não haver a necessidade de altas taxas de sucesso para suprir sua necessidade energética. Estes resultados propõe a existência de partilha de recursos pelas espécies analisadas, de modo que, usando de estratégias de forrageio diferentes condizentes com suas dietas e morfologias, são capazes de ocupar a mesma área simultaneamente Abstract: This study aimed to analyze the foraging strategies of four estuarine bird species: Ardea alba (great egret), Egretta thula (little egret), Egretta caerulea (great blue heron) and Eudocimus ruber (scarlet íbis). The species foraging strategies were compared using three rates: effort (total pecks divided by the number of steps), efficiency (successful pecks divided by the number of steps) and success (successful pecks divided by total pecks). Sampling was carried out in the Brocuanha lowlands, in the city of Cananéia, on the southern coast of the state of São Paulo. Expeditions were made to observe the individuals between March and July 2024. The Kolmogorov-Smirnov test for data normality was used to analyze the foraging indices, as well as the Kruskall-Wallis test to compare the samples and the Dunn test as a post hoc test for one-to-one comparisons. The results of the comparisons indicate greater foraging effort on the part of the scarlet íbis and less on the part of the great egret, suggesting a greater number of attempts per step made by the scarlet íbis, which uses its beak with mechanoreceptors and eyes turned towards the tip of the beak as its tactile foraging strategy known as "try".. The great egret, on the other hand, has a foraging strategy characterized by the "stand-and-wait" method, with low displacement and few attempts. The scarlet íbis also showed the highest foraging efficiency, with a high number of successful pecks per number of steps, what shows its foraging strategy towards smaller prey. The great egret showed a lower efficiency rate considering its foraging strategy and its diet composed of larger prey, so that few captures are able to meet its energy needs. The snowy egret and the little blue heron showed almost identical efficiency rates, despite having different foraging strategies and diets, which can be explained by the fact that they forage in different micro-environments in the lowlands, a factor that was not taken into account in the analyses. The little blue heron had the highest success rate, which can be explained by the high number of successful attempts it needs to meet its energy expenditure, similar to the scarlet íbis . The lowest success rate is associated with the great egret, a fact that was not expected considering its high capture accuracy observed during sampling, however, the apparent selection for larger prey may be responsible for not requiring high success rates to meet its energy needs. These results suggest that the species analyzed share resources, so that by using different foraging strategies in line with their diets and morphologies, they are able to occupy the same area simultaneously
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