Furto e adolescente excluído : o trabalho em xeque no mundo globalizado?
Resumo
Resumo: Sabe-se que no Brasil tanto o processo de escolarização quanto o de inserção no mercado de trabalho, para os adolescentes que pertencem às classes menos favorecidas economicamente, é difícil e penosa. Acentua-se esta dificuldade principalmente em tempos de globalização, em que se vem reduzindo o número de postos de trabalho e exigindo maior qualificação escolar e profissional do trabalhador. Assim, os adolescentes das camadas mais pobres da população são compelidos a entrarem para o mercado formal de trabalho para auxiliar na renda familiar, ou mesmo provê-la sozinho, muitas vezes abandonando a escola. E quando não conseguem inserir-se neste mercado, buscam outras formas de obter este sustento, que pode inclusive ser no ato ilícito. Logo, levantou-se junto a adolescentes que residem com suas famílias e com histórico de furto, qual a construção que possuem acerca do conceito de trabalho. Realizou-se também junto a estes cinco adolescentes da cidade de Fernandes Pinheiro/PR um levantamento sobre o produto do furto, em que condições e por quais motivos foi praticado e se este ato assumiu, para eles, função semelhante ao trabalho. Em princípio, trabalho e furto são vistos sob o mesmo prisma utilitário, dando a ambos a função - a de provedor de necessidades básicas. Porém, distanciam- se ao serem percebidos como extremos opostos: o trabalho é tido como bom e o furto como errado e ilegal, não assumindo ambos o mesmo status. No entanto, apesar de entendido como ilegal, o furto foi percebido como única saída para o não-trabalho. Portanto, necessário se faz que a comunidade local aponte novos horizontes a estes adolescentes, para que estes possam construir suas identidades longe do comportamento delinqüente e com uma adequada inserção no mercado de trabalho