Sustentabilidade em disputa : paradigmas, poder e colonialidade na agenda 2030
Resumo
Resumo: A sustentabilidade, consolidada como eixo das políticas globais, encontra na Agenda 2030 das Nações Unidas um paradigma normativo de alcance sem precedentes. Este ensaio teórico discute a Agenda como estrutura de gestão e campo de disputa entre transformações emancipatórias e racionalidades tecnocráticas. Ao articular dimensões sociais, econômicas e ambientais, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram amplamente incorporados por governos e empresas, mas também suscitam críticas quanto à padronização e à despolitização de suas metas. A partir das perspectivas de Kuhn e Weber, analisa-se a Agenda como um paradigma híbrido, inovador em sua capacidade de integração, mas propenso à burocratização e à gaiola de ferro da racionalidade formal. O diálogo com Ignacy Sachs permite compreender como o ideal de ecodesenvolvimento, baseado em prudência ecológica, endogeneidade e diversidade cultural foi parcialmente incorporado, mas fragilizado pela financeirização e pelo universalismo dos indicadores globais. Críticas decoloniais e marxistas ampliam o debate, denunciando o viés eurocêntrico e o predomínio da lógica de mercado na execução dos ODS. Conclui-se que a Agenda 2030 constitui um campo ambivalente, onde convivem práticas de transformação social e mecanismos de manutenção da ordem global. Sua efetividade, sobretudo no Sul Global, depende da capacidade de reapropriação crítica dos ODS como instrumentos de justiça socioambiental, pluralidade epistêmica e emancipação coletiva Abstract: Sustainability, consolidated as a cornerstone of global policies, finds in the United Nations 2030 Agenda a normative paradigm of unprecedented scope. This theoretical essay discusses the Agenda as both a management framework and a field of tension between emancipatory transformations and technocratic rationalities. By articulating social, economic, and environmental dimensions, the Sustainable Development Goals (SDGs) have been widely adopted by governments and corporations, yet they also invite criticism for the standardization and depoliticization of their targets. Drawing on Kuhn and Weber, the paper analyzes the Agenda as a hybrid paradigma, innovative in its integrative capacity, but prone to bureaucratization and the iron cage of formal rationality. The dialogue with Ignacy Sachs illuminates how the ideal of ecodevelopment, grounded in ecological prudence, endogeneity, and cultural diversity, was only partially incorporated and subsequently weakened by financialization and the universalism of global indicators. Decolonial and Marxist critiques expand the debate, exposing the Eurocentric bias and the dominance of market logic in SDG implementation. The essay concludes that the 2030 Agenda constitutes an ambivalent field, where social transformation and the reproduction of global order coexist. Its effectiveness, particularly in the Global South, depends on the capacity for a critical reappropriation of the SDGs as instruments of socio-environmental justice, epistemic plurality, and collective emancipation
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- MBA em gestão ambiental [458]