Extração e caracterização estrutural de polissacarídeos da microalga liquênica Myrmecia biatorellae
Resumo
Resumo : Myrmecia biatorellae é um uma microalga verde pertencente à classe Trebouxiophyceae e ocorre como fotobionte do líquen Lobaria linita. A atividade biológica (antitumoral, antiviral e imunomoduladora) dos polissacarídeos está relacionada às suas estruturas químicas. O conteúdo polissacarídico de fotobiontes ainda é pouco conhecido, portanto, o presente estudo visou extrair, purificar e caracterizar estruturalmente os polissacarídeos da microalga liquênica M. biatorellae. Esta foi cultivada em laboratório em meio nutriente orgânico para Trebouxia, segundo Ahmadjian (1993), obtendo-se uma biomassa de 41,23 g. Para a extração dos polissacarídeos, a biomassa da microalga foi submetida a quatro processos extrativos. Inicialmente, foram realizadas as extrações com os solventes orgânicos, etanol e clorofórmio-metanol para a remoção dos pigmentos e dos componentes lipídicos. Após a deslipidificação do material, ele foi submetido à extração aquosa com água destilada sob refluxo, por 4 horas a 100 ?C, obtendo-se a fração MYRA com rendimento de 7,4 g%. Os resíduos remanescentes da extração aquosa foram submetidos à extração com hidróxido de potássio a 10%, sob refluxo a 100 ?C, originando a fração MYRK (13,4 g%). A partir da extração aquosa foi possível a obtenção de duas amostras purificadas, por ultrafiltração em membranas, SMYRA-AMIL-100R e SMYRA-AMIL-50R, as quais apresentaram como composição monossacarídica Rha:Ara:Man:Gal, nas proporções 6,4:4,8:4,8:84,1 e 2,9:4,4:3,9:88,7 respectivamente. A análise do espectro de RMN.- 13C destas frações indicou a presença de galactose na conformação furanosídica, indicando desta maneira, a presença de galactofurananas. A partir da extração alcalina foi possível purificar, por tratamento com solução de Fehling, um polissacarídeo insolúvel em água fria, fração PMYRK-AMIL-SF, e composto principalmente por ramnose (30,1%) e galactose (55,9%). A análise de RMN.- 13C desta fração também indicou que as unidades de galactose estão na conformação furanosídica, e provavelmente (1?3) ligadas, indicando a presença de uma ramnogalactofuranana. Este polissacarídeo assemelha-se à ramnogalactofuranana presente em Asterochloris sp (CORDEIRO et al., 2007) que apresenta uma cadeia principal constituída por unidades de Galf (1?3) ligadas, com ramificação em C-6 em aproximadamente 6,4% das unidades. A observação da árvore filogenética de clorófitas liquenizadas e de vida livre (NASH III 2008) revela que as algas do gênero Myrmecia se aninham com as algas do gênero Asterochloris, indicando que elas estão muito próximas evolutivamente e explica a semelhança estrutural dos polissacarídeos encontrados nesses fotobiontes.
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