Alimentação, qualidade de vida e indicadores de saúde de trabalhadores beneficiados pelo programa de alimentação do trabalhador
Resumo
Resumo: Ao longo dos anos inúmeras mudanças ocorreram no estilo de vida da população mundial, como a redução do gasto energético nas atividades de trabalho, consumo de alimentos processados e ultraprocessados, aumento do consumo de refeições fora do lar e diminuição na prática de atividade física. Entre essas mudanças, a alimentação inadequada e a redução da atividade física, têm sido apontadas como fatores de risco para o desenvolvimento de doenças e agravos nas condições de saúde dos trabalhadores. O objetivo deste estudo foi avaliar a alimentação, indicadores de saúde e a qualidade de vida de trabalhadores beneficiados pelo Programa de Alimentação do Trabalhador. Trata-se de uma pesquisa de campo, de abordagem quantitativa, natureza descritiva e de cunho transversal, realizada com trabalhadores que frequentavam duas Unidades de Alimentação e Nutrição credenciadas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, no município de Curitiba, Paraná, Brasil. A pesquisa foi realizada a partir de dois estudos, sendo o primeiro presencial, realizado antes da pandemia de COVID-19, e o segundo realizado online durante o período da pandemia. Foram aplicados testes estatísticos de comparações múltiplas, sendo considerado nível de significância de 5% em ambos os estudos. No primeiro estudo (Estudo I) foi avaliado o consumo alimentar dos trabalhadores através do recordatório de 24 horas, considerando as diferentes ocasiões e locais de consumo, e o estado nutricional por meio do índice de massa corporal e da circunferência da cintura. No segundo estudo (Estudo II) os trabalhadores responderam a um formulário online no qual foram avaliadas suas práticas alimentares conforme as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, a qualidade de vida e a prática de atividade física. Participaram da pesquisa 178 trabalhadores, sendo 55 no Estudo I e 123 no Estudo II. No Estudo I a maioria dos participantes eram homens (74,5%), que apresentavam excesso de peso (80%) e risco aumentado para doença cardiovascular (41,8%). A ingestão de proteína, gordura e sódio dos trabalhadores estava acima das recomendações da Organização Mundial de Saúde, enquanto o consumo de frutas, verduras e legumes estava abaixo do recomendado. As refeições no jantar e nos lanches tiveram maior variação na ingestão de nutrientes, sendo no jantar fora do domicílio a maior ingestão de calorias e gordura saturada. No Estudo II, 52,9% dos trabalhadores realizavam suas atividades profissionais de maneira remota e 27% não realizaram nenhuma refeição no local de trabalho nos últimos 30 dias. Quanto às práticas alimentares, 52,8% dos trabalhadores tiveram suas práticas alimentares alinhadas as recomendações do Guia Alimentar. Além disso, foi verificado que quanto maior a idade e maior o tempo e frequência na prática de atividade física melhores eram as práticas alimentares dos trabalhadores. Referente a qualidade de vida, apenas o domínio das relações sociais apresentou correlação significativa com as melhores práticas alimentares. Em ambos os estudos foi verificado que os trabalhadores apresentavam excesso de peso. A presente pesquisa reforça a necessidade de compreender o contexto em que os trabalhadores estão inseridos ao avaliar sua alimentação e os possíveis desfechos em saúde. Abstract: Over the years, countless changes have occurred in the lifestyle of the world
population, such as reduced energy expenditure in work activities, consumption of
processed and ultra-processed foods, increased consumption of meals outside the
home and decreased physical activity. Among these changes, inadequate nutrition and
reduced physical activity have been identified as risk factors for the development of
diseases and health problems in workers. The objective of this study was to evaluate
the diet, health indicators and quality of life of workers benefited by the Workers Food
Program. This is a field research, with a quantitative approach, descriptive and crosssectional
nature, carried out with workers who attended two Food and Nutrition Units
accredited to the Workers Food Program, in the city of Curitiba, Paraná, Brazil. The
research was based on two studies, the first being in person, carried out before the
COVID-19 pandemic, and the second being carried out online during the period of the
pandemic. In the first study (Study I), the workers' food consumption was evaluated
through the 24-hour dietary recall, considering the different occasions and places of
consumption, and their nutritional status through the body mass index and waist
circumference. In the second study (Study II), the workers answered an online form
and their eating habits were evaluated according to the recommendations of the
Dietary Guidelines for the Brazilian Population, their quality of life and the practice of
physical activity. The results were compared based on multiple comparisons tests,
considering a significance level of 5%. 178 workers participated in the survey, 55 in
Study I and 123 in Study II. In Study I, most participants were men (74.5%), who were
overweight (80%) and at increased risk for cardiovascular disease (41.8%). The
workers' consumption of protein, fat and sodium was above the recommendations of
the World Health Organization, while the consumption of fruits and vegetables was
below the recommended. Meals at dinner and snacks had the greatest variation in
nutrient consumption, with dinner out of the home being the highest consumption of
calories and saturated fat. In Study II, 52.9% of workers performed their professional
activities remotely, at least once a week, and of these, only 27% did not have any meal
at the workplace in the last 30 days. As for eating habits, 52.8% of workers had their
eating habits according to the recommendations of the Dietary Guidelines for the
Brazilian Population. In addition, it was found that the older the age and the greater the
time and frequency of physical activity, the better the workers' eating habits. Regarding
quality of life, only the domain of social relation showed a significant correlation with
best dietary practices. In both studies it was found that workers were overweight. This
research reinforces the need to understand the context in which workers are inserted
when evaluating their diet and possible health outcomes.
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