Viver com insuficiência cardíaca : experiências e estratégias à luz da teoria do manejo de sintomas
Resumo
Resumo: Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome caracterizada pela alta carga de sintomas, hospitalização e descompensação clínica, exigindo associação entre o tratamento farmacológico e medidas para controle da doença e manejo dos sintomas. Utilizou-se, como base conceitual para este estudo, a Teoria de Manejo dos Sintomas (TMS). Objetivo: Analisar a experiência dos sintomas percebidos e avaliados pela pessoa com insuficiência cardíaca e as estratégias adotadas para seu manejo. Metodologia: Trata-se de um estudo sob a abordagem de métodos múltiplos, com combinação qualitativa e quantitativa (QUAL+quan), realizado em um hospital universitário no interior do Paraná, no ambulatório de insuficiência cardíaca e em unidades de internação, no período de janeiro a julho de 2023. Utilizou-se para a coleta dos dados qualitativos um roteiro com questões semiestruturadas, e para os dados quantitativos três instrumentos: um questionário de perfil sociodemográfico e clínico, o Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire para a avaliação dos sintomas e qualidade de vida, e o European Heart Failure Self-care Behavior Scale para avaliação do comportamento de autocuidado em insuficiência cardíaca. As entrevistas foram audiogravadas. Para a análise dos dados qualitativos, utilizou-se o método de Análise de Conteúdo. Os dados quantitativos foram analisados pelas técnicas estatísticas, com o auxílio do programa SPSS e realizadas análises descritivas e testes de correlação. Resultados: Foram 81 participantes, com média de idade de 66,81 anos, 54,3% do sexo masculino, brancos(as) (53%), casados(as) (66,6%), ensino fundamental incompleto (56,8%). A classe funcional da Insuficiência Cardíaca predominante foi a II (50%), com fração de ejeção média de 42,05, predominando a fração de ejeção reduzida (57,9%) e etiologia isquêmica (22,2%). As principais comorbidades associadas foram hipertensão (80,2%) e diabetes mellitus (44,4%). A partir da análise de conteúdo, emergiram quatro categorias temáticas: experiência dos sintomas relacionados à insuficiência cardíaca; orientações recebidas para o cuidado em saúde; estratégias adotadas para o cuidado em saúde e manejo dos sintomas; enfrentamento à doença e expectativas relacionadas ao tratamento. Os sintomas percebidos foram dispneia, fadiga, edema periférico, tontura, fraqueza, mal-estar, sensação de taquicardia e dor torácica. Os sintomas foram atribuídos à insuficiência cardíaca e comorbidades associadas. As estratégias de manejo adotadas foram o seguimento da prescrição médica e busca pelo serviço de saúde, automedicação, terapias complementares, mudança de estilo de vida, repouso e espera pela melhora dos sintomas. A qualidade de vida, obteve pontuação média de 63,69, classificada como ruim, e o comportamento de autocuidado, com pontuação de 32,8, em uma escala máxima de 60 pontos. Considerações finais: À experiência dos sintomas percebidos e o seu manejo pela pessoa com insuficiência cardíaca, considera-se condizente na sustentação com os pressupostos da Teoria de Manejo de Sintomas. As contribuições desta pesquisa para a área da saúde, especialmente à enfermagem, está em oferecer subsídios para a avaliação de sintomas e estratégias utilizadas para seu manejo, instrumentalizando o planejamento do cuidado. Abstract: Introduction: Heart failure (HF) is a syndrome characterized by high symptom burden, hospitalization, and clinical decompensation, which requires an association between pharmacological treatment and measures to control the disease and manage symptoms. The Symptom Management Theory (SMT) was used as a conceptual basis for this study. Objective: Analyze the experience of perceived and evaluated symptoms of people with heart failure and the strategies adopted for their management. Methodology: This study used multiple approach methods, with a qualitative and quantitative combination (QUAL+quan), carried out in a university hospital in the interior of Paraná state, at the heart failure outpatient clinic and in hospitalization units, from January to July of 2023. A questionnaire with semi-structured questions was used to collect qualitative data, and three instruments were used for quantitative data: a sociodemographic and clinical profile questionnaire, the Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire, as to assess symptoms and quality of life, and the European Heart Failure Self-care Behavior Scale, as to assess self-care behavior for heart failure. The interviews were audio recorded. For analysis of qualitative data, the Content Analysis method was used. Quantitative data were analyzed using statistical techniques, with the help of the SPSS software, as well as descriptive analyzes and correlation tests. Results: There were 81 participants, with an average age of 66.81 years, being 54.3% male, white (53%), married (66.6%) and with incomplete primary education (56.8%). The predominant functional class of Heart Failure was II (50%), with an average ejection fraction of 42.05, predominantly reduced ejection fraction (57.9%) and ischemic etiology (22.2%). The main associated comorbidities were hypertension (80.2%) and diabetes mellitus (44.4%). From the content analysis, four thematic categories emerged: experience of symptoms related to heart failure; guidance received for health care; strategies adopted for health care and symptom management; coping with the disease and expectations related to treatment. The symptoms noticed were dyspnea, fatigue, peripheral edema, dizziness, weakness, malaise, sensation of tachycardia and chest pain. The symptoms were attributed to heart failure and associated comorbidities. The management strategies adopted were following medical prescriptions and seeking health services, self-medication, complementary therapies, lifestyle changes, rest and waiting for symptoms to improve. Quality of life had an average score of 63.69, classified as poor, and self-care behavior had a score of 32.8, on a maximum scale of 60 points. Final considerations: As for the experience of perceived symptoms and their management by the person with heart failure, it is considered consistent with the assumptions of the Symptom Management Theory. The contributions of this research to the health area, especially nursing, are in offering support for the evaluation of symptoms and strategies used for their management, instrumentalizing care planning.
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