Amamentação, compartilhamento de cama e ritmicidade circadiana infantil : uma análise não paramétrica por actigrafia
Resumo
Resumo: O sono infantil e suas práticas associadas representam um domínio no qual natureza e cultura se entrelaçam de forma complexa. Esta dissertação investigou as associações entre práticas culturalmente situadas de cuidado infantil – especificamente amamentação e compartilhamento de cama – e o desenvolvimento dos ritmos circadianos em bebês brasileiros de seis meses, utilizando dados da coorte CPAPI (Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância). Empregando actigrafia como método objetivo de avaliação, analisamos parâmetros não paramétricos do ritmo circadiano (Amplitude Relativa, L5 e M10) em 194 bebês saudáveis. Contrariando hipóteses baseadas em paradigmas ocidentais, nossos resultados revelaram consistentemente a ausência de associações significativas entre estas práticas e alterações nos parâmetros circadianos fundamentais. O compartilhamento de cama, praticado por 51% da amostra, não interferiu na ritmicidade circadiana (p>0,05 para todos os parâmetros), mesmo após controle para fatores socioeconômicos. Similarmente, a amamentação, presente em 72,2% dos bebês, não demonstrou influência detectável sobre os ritmos circadianos. Estes achados sugerem notável resiliência do desenvolvimento circadiano infantil frente a variações nas práticas de cuidado, desafiando suposições sobre arranjos "ótimos" de sono e apoiando perspectivas evolutivas sobre a flexibilidade adaptativa humana. Para o contexto brasileiro, nossos resultados oferecem evidências científicas de que escolhas familiares sobre arranjos de sono e alimentação podem ser feitas sem prejuízo ao desenvolvimento circadiano, contribuindo para orientações de saúde pública mais cientificamente embasadas Abstract: Infant sleep and its associated practices represent a domain where nature and culture intertwine in complex ways. This dissertation investigated the associations between culturally situated childcare practices—specifically breastfeeding and bed-sharing— and the development of circadian rhythms in six-month-old Brazilian infants, using data from the CPAPI cohort (Brazilian Center for Applied Research in Early Childhood). Employing actigraphy as an objective assessment method, we analyzed non parametric circadian rhythm parameters (Relative Amplitude, L5, and M10) in 194 healthy infants. Contrary to hypotheses based on Western paradigms, our results consistently revealed the absence of significant associations between these practices and alterations in fundamental circadian parameters. Bed-sharing, practiced by 51% of the sample, showed no effects on circadian rhythmicity (p>0.05 for all parameters), even after controlling for socioeconomic factors. Similarly, breastfeeding, present in 72.2% of infants, demonstrated no detectable influence on circadian rhythms. These findings suggest remarkable resilience of infant circadian development in the face of variations in care practices, challenging assumptions about "optimal" sleep arrangements and supporting evolutionary perspectives on human adaptive flexibility. For the Brazilian context, our results provide scientific evidence that family choices regarding sleep arrangements and feeding can be made without detriment to fundamental circadian development, contributing to more scientifically grounded public health guidelines
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