Avaliação da contaminação microbiológica em pontos de controle na manipulação da nutrição enteral domiciliar
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Data
2024Autor
Fernandes, Marcelly Caroline Pires
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Resumo: Introdução: A nutrição enteral domiciliar (NED) tem se consolidado como uma prática amplamente utilizada em diversos países, incluindo o Brasil, e é incentivada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da relevância da NED, existe uma lacuna na literatura sobre a contaminação microbiológica nos pontos de controle de manipulação das formulações nos domicílios, o que pode comprometer a segurança das formulações enterais e, por consequência, a saúde dos pacientes. Objetivo: Avaliar a contaminação microbiológica em pontos de controle na manipulação da nutrição enteral domiciliar. Metodologia: O estudo prospectivo, analítico e transversal, foi realizado em 77 domicílios de pacientes que utilizam formulações enterais manipuladas (preparações enterais com alimentos, preparações enterais mistas e fórmulas enterais comerciais), nas cidades de Curitiba, Pinhais e Piraquara, no Paraná, selecionados por conveniência. A coleta de amostras incluiu a bancada de manipulação, os equipamentos, os frascos de envase e mãos dos manipulados em cada domicílio, com análises microbiológicas para microrganismos indicadores, como aeróbios mesófilos, Escherichia coli e Staphylococcus coagulase positiva. Adicionalmente, a água utilizada na preparação das formulações foi coletada e analisada para detectar coliformes totais, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa. Resultados: Equipamentos e água foram os pontos de controle com maior percentual de amostras que excederam a contagem microbiológica aceitável (90,1% e 85,7%, respectivamente), enquanto as mãos apresentaram o menor número de amostras contaminada (27,4%) (p= ,00001). Entre os três tipos de formulações enterais avaliadas houve diferença significativa na contaminação das etapas de manipulação, sendo a mão a etapa com menor percentual de inadequação. Na análise microbiológica da água, o microrganismo indicador mais prevalente foi a Pseudomonas aeruginosa (p= ,75), seguido por coliformes totais (63,6%) (p= ,16). Nos equipamentos, frascos de envase e bancada de manipulação, aeróbios mesófilos foram os microrganismos predominantes (96,4%, 93,2% e 90%, respectivamente) (p = 0,00001), enquanto, nas mãos dos manipuladores, Escherichia coli foi o microrganismo mais encontrado em níveis inadequados (n = 12, 60%) (p = 0,19). As preparações enterais mistas apresentaram maior contaminação nas etapas de manipulação (73,9%), seguidas das preparações enterais com alimentos (61,6%) (p= ,00001). Quanto a contagem de microrganismos em cada etapa de manipulação, não houve diferença estatística entre o crescimento de aeróbios mesófilos (p= ,28), com médias de contagem mais elevadas de 1,3x10³ UFC/cm² em equipamentos e 1,1x10³ UFC/cm² nas bancadas. Staphylococcus coagulase positiva apresentou maior contagem em equipamentos (2,2x10² UFC/cm²), sem diferença estatística entre as demais etapas avaliadas (p= ,73). A avaliação de Escherichia coli (UFC/cm²) revelou diferença significativa entre os pontos de controle (p= ,00), com mãos e frascos de envase com menor crescimento microbiológico. Conclusão: A contaminação dos pontos de controle na manipulação da NED foi alta, especialmente em equipamentos e água. A Pseudomonas aeruginosa foi o microrganismo mais prevalente na água, enquanto nos equipamentos, bancadas de manipulação e frascos de envase, aeróbios mesófilos foram os principais indicadores de inadequação. O estudo reforça a importância da avaliação, controle, treinamentos e melhorias das boas práticas em manipulação para os manipuladores de NED Abstract: Introduction: Home enteral nutrition (HEN) has become widely adopted in several countries, including Brazil, and is encouraged by the Unified Health System (SUS). Despite the relevance of HEN, there is a gap in the literature regarding microbiological contamination at critical control points during formulation handling at home, which could compromise the safety of enteral formulas and, consequently, patient health. Objective: To evaluate microbiological contamination at critical control points in the handling of home enteral nutrition. Methodology: This prospective, analytical, and cross-sectional study was conducted in 77 households of patients using handled enteral formulations (food-based enteral preparations, mixed enteral preparations, and commercial enteral formulas) in the cities of Curitiba, Pinhais, and Piraquara, Paraná, selected by convenience sampling. Sample collection included the handling bench, equipment, packaging bottles, and the hands of handlers in each household, with microbiological analysis for indicator microorganisms, such as mesophilic aerobes, Escherichia coli, and coagulase-positive Staphylococcus. Additionally, the water used in the preparation of the formulations was collected and analyzed for total coliforms, E. coli, and Pseudomonas aeruginosa. Results: Equipment and water were the control points with the highest percentage of samples exceeding acceptable microbiological counts (90.1% and 85.7%, respectively), while hands showed the lowest contamination rate (27.4%) (p = .00001). Among the three types of enteral formulations evaluated, there was a significant difference in contamination at different handling stages, with hands showing the lowest percentage of noncompliance. In the microbiological analysis of water, the most prevalent indicator microorganism was Pseudomonas aeruginosa (p = .75), followed by total coliforms (63.6%) (p = .16). Mesophilic aerobes were the predominant microorganisms on equipment, packaging bottles, and handling benches (96.4%, 93.2%, and 90%, respectively) (p = 0.00001), while on the handlers' hands, E. coli was the most commonly found microorganism at inadequate levels (n = 12, 60%) (p = 0.19). Mixed enteral preparations showed the highest contamination rates in handling stages (73.9%), followed by food-based enteral preparations (61.6%) (p = .00001). Regarding microorganism counts at each handling stage, there was no statistical difference in mesophilic aerobe growth (p = .28), with the highest average counts of 1.3x10³ CFU/cm² on equipment and 1.1x10³ CFU/cm² on benches. coagulase-positive Staphylococcus showed the highest counts on equipment (2.2x10² CFU/cm²), with no statistical difference between the other stages evaluated (p = .73). Escherichia coli (CFU/cm²) analysis revealed a significant difference between control points (p = .00), with hands and packaging bottles showing lower microbiological growth. Conclusion: Contamination at critical control points in HEN handling was high, particularly on equipment and in water. P. aeruginosa was the most prevalent microorganism in water, while mesophilic aerobes were the main indicators of noncompliance on equipment, handling benches, and packaging bottles. The study reinforces the importance of assessment, control, training, and improvement of best practices in handling for HEN handlers
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