Desenvolvimento e comportamento de crianças pedestres
Resumo
Resumo: Em um período de dez anos, 2007 a 2016, quase 18 mil crianças e adolescentes de até 14 anos morreram vítimas de eventos de trânsito no Brasil. É estimado que mais de 30% delas tenham sido atropeladas. Para evitar que mais mortes aconteçam é necessário que pesquisas busquem compreender o que contribui para que essas situações aconteçam. Esta dissertação foi dividida em dois estudos, o primeiro teve por objetivo identificar se crianças e adolescentes de 11 a 13 anos compreendem e sabem reconhecer um ambiente seguro no trânsito para pedestres. Foram realizadas 46 entrevistas, utilizando a técnica de Modelagem topográfica/topológica, em escolas públicas de Curitiba-PR. Foi solicitado que eles fizessem a construção de um caminho em uma maquete com alguns dispositivos de trânsito que podem auxiliar na travessia. Os adolescentes não souberam identificar o melhor caminho, da mesma forma que não souberam fazer a construção correta deste caminho. Além disso, as justificativas apresentadas para as decisões tomadas na escolha e construção do caminho não foram satisfatórias do ponto de vista da segurança dos pedestres. Os resultados apontam que esses adolescentes não estão preparados para caminharem sozinhos na rua, podendo tomar decisões arriscadas no trânsito. O objetivo do segundo estudo foi avaliar como é o ambiente de trânsito de escolas que atendem crianças inseridas no segundo nível do ensino fundamental. Para cumprir esse objetivo foram realizas observações no ambiente de 76 escolas, públicas e privadas, da cidade de Curitiba-PR. Foi possível identificar que em quase 30% das escolas a velocidade máxima permitida é superior a 30km/h, velocidade sugerida para a segurança dos pedestres. Além disso, em mais de 55% das escolas não havia faixa de pedestre na quadra da escola, em mais 89% delas não havia semáforo para pedestres e em 93,4% delas não havia gradil em frente ao portão da escola. Dessa forma é possível indicar que as escolas não possuem estrutura rodoviária adequada para a circulação segura dos estudantes, podendo gerar ainda mais risco para esses adolescentes. Conforme os dados encontrados nos dois estudos, é admissível postular que os adolescentes não estão seguros nas suas caminhadas de ida e volta da escola, visto que não sabem fazer decisões corretas no trânsito, além de estarem expostos aos riscos oferecidos pelo ambiente de trânsito das escolas. Abstract: In a period of ten years, from 2007 to 2016, almost 18 thousand children and adolescents up to the 14 years old died victims of traffic events in Brazil. It is estimated that over 30% of them have been run over. To prevent further deaths from occurring, it is necessary that researches seek to understand what contributes to these situations occurring. This dissertation was divided into two studies; the first one aimed to identify if adolescents aged 11 to 13 understood and know how to recognize a safe environment in pedestrian traffic. 46 interviews were carried out, using the topographic/topological modeling technique, in public schools in Curitiba-PR. They were asked to assemble a model with some traffic devices that could aid in the crossing. The adolescents could not identify the best path, just as they did not know how to make the correct assembly of this path. In addition, the justifications presented for the decisions made in the choice and assembly of the route was not satisfactory from the point of view of pedestrian safety. The results indicate that these adolescents are not prepared to walk alone on the street, making risky decisions in traffic. The objective of the second study was to evaluate how the transit environment is around schools that attend children enrolled in the second level of elementary education. To fulfill this objective, observations were made in the environment of 76 public and private schools in the city of Curitiba-PR. It was possible to identify that in almost 30% of the schools the maximum allowed speed is superior to 30km/h, suggested speed for pedestrian safety. In addition, in more than 55% of schools there were no pedestrian crossings on the school block and in another 89% of them there was no traffic light for pedestrians in 93.4% of them there was no railing in front of the school gate. In this way it is possible to indicate that the schools do not have road appropriate structure for the safe movement of the students, being able to generate even more risk for these adolescents. According to the data found in the two studies, it is permissible to postulate that adolescents are not safe on their back and forth school trips, since they do not know how to make correct decisions in traffic, besides being exposed to the risks offered by the traffic environment around schools.
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