Estrutura da sinúsia herbácea e efeitos da sazonalidade em um fragmento urbano de floresta estacional semidecidual do Oeste do Paraná.
Resumo
Resumo : A Floresta Estacional Semidecidual (FES), típica da região oeste do Estado do
Paraná, atraiu colonizadores pela alta qualidade do solo, além de ótimas madeiras
comerciais, o que a fez vítima de uma grande devastação, restando atualmente
apenas alguns fragmentos florestais secundários. Estes fragmentos estão
localizados, na maioria das vezes, em meio a áreas agricultáveis ou dentro das
áreas urbanas dos municípios. O presente estudo teve por objetivo avaliar a
estrutura da sinúsia herbácea de um fragmento florestal localizado dentro do
perímetro urbano do município de Palotina analisando se há influência da
sazonalidade em sua composição. Desta forma, foi realizado um levantamento
fitossociológico utilizando o método de parcelas de forma sistemática. Foram
instaladas 20 unidades amostrais de 1m². A amostragem foi realizada no período de
outono/inverno de 2016 e uma re-leitura foi realizada na primavera/verão de 2016.
Foram amostradas apenas as plantas herbáceas enraizadas dentro das parcelas e o
material botânico vegetativo ou reprodutivo foi coletado para ser utilizado para
posterior identificação. Para cada espécie amostrada foram anotados dados de
cobertura (%), altura aproximada e índice de sociabilidade. Posteriormente foram
calculados os seguintes parâmetros fitossociológicos: frequência absoluta e relativa,
cobertura absoluta e relativa e importância relativa. Na amostragem do
outono/inverno obtiveram-se seis espécies de herbáceas e na primavera/verão
cinco. Deste total, cinco espécies são angiospermas e uma pteridófita. Do total de
espécies, duas são exóticas e invasoras: Epipremnum aureum (Linden e Andre)
Buntin e Syngonium podophyllum H. W Schott, ambas Araceae. Destas duas, a
primeira destacou-se no levantamento com o maior valor de importância relativa (IR)
nas duas amostragens (66,25% do total de IR), ocorrendo em todas as parcelas e
com a maior cobertura. Em seguida destacaram-se Stenandrium mandioccanum Nees e Geophila macropoda (Ruiz e Pav.) DC com 14,35% e 13,6%,
respectivamente, do total de IR, ambas nativas. S.mandioccanum destacou-se
principalmente pela frequência e G.macropoda pela cobertura. Os resultados do
estudo evidenciam a necessidade da adoção de um método para a erradicação das
exóticas tendo em vista a conservação do remanescente florestal. Comparações
com outros estudos mostraram que a riqueza está reduzida. Provavelmente a
presença da exótica dominante no sub-bosque pode estar interferindo na
comunidade. Quanto às demais espécies, não foram observados valores
significativos dos parâmetros analisados entre as estações devido a variação da
cobertura do dossel com a semidecidualidade que é típica da floresta no inverno,
permitindo maior luminosidade. Também se inferiu a respeito da presença de duas
áreas de estrutura herbácea diferentes no fragmento e para avaliar esta percepção
testou-se a hipótese a partir de análises multivariadas, aparecendo somente as duas
áreas nas três análises (Análise de Agrupamento, Análise das Coordenadas
Principais e Escalonamento Multidimensional Não – Métrico). Apesar da presença
de uma espécie exótica invasora dominante na estrutura do sub-bosque da floresta,
o remanescente possui espécies e estrutura características de FES. O manejo e sua
preservação são, portanto, imprescindíveis para a manutenção desta importante
área remanescente. Palavras-chave: Estudo fitossociológico. Herbáceas. Espécie
Exótica. Espécie invasora.
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