Capacidade neuromuscular como condicionante do desempenho da corrida de endurance : uma revisão narrativa sobre os potenciais efeitos crônicos do treinamento combinado por uma perspectiva biomecânica
Resumo
Resumo: O desempenho de endurance (DE) trata-se de um fenômeno sustentado por vários fatores fisiológicos, inclusive neuromusculares. O objetivo da presente revisão foi delinear o binômio desempenho neuromuscular-desempenho de endurance a partir de ensaios controlados que envolveram corrida e aumento de indicadores destes desempenhos em relação ao grupo controle, após a realização do treinamento combinado (TC), e explorar o potencial fator interveniente das alterações positivas do desempenho neuromuscular (DN) no DE superior através de uma perspectiva biomecânica. As buscas em diferentes bases de dados (PubMed, Scopus e SPORTDiscus) resultaram num total de 3922 artigos disponíveis para revisão, os quais, por seleção, resultaram em 11 estudos revisados. Os estudos sugerem que, após o TC, melhoras no DN podem resultar em maior desempenho na corrida de endurance (CE), a partir da maior eficiência de mecanismos associados ao aumento de força máxima, do índice de força reativa e da altura de saltos. Sob uma perspectiva biomecânica, esse efeito deve resultar da aplicação mais eficiente de força na fase de apoio, que, como consequência, deve intervir nas características do impulso manifestado. Diversos fatores relacionados à função muscular do ciclo alongamento-encurtamento (CAE) parecem corroborar com isso, incluindo: (1) a elevação da taxa de desenvolvimento de força (TDF), (2) a maior eficiência das ações musculares excêntricas, (3) aumento da rigidez muscular, (4) melhor orientação dos vetores de força e (5) maior eficiência do trabalho muscular Abstract: Endurance performance (EP) is a phenomenon supported by multiple physiological factors, including neuromuscular components. The aim of the present review was to delineate the neuromuscular performance–endurance performance relationship based on controlled trials involving running and improvements in these performance indicators compared with control groups following combined training (CT), and to explore the potential mediating role of positive changes in neuromuscular performance (NP) on superior endurance performance from a biomechanical perspective. Searches conducted in different databases (PubMed, Scopus, and SPORTDiscus) yielded a total of 3,922 articles available for review, from which 11 studies were selected and analyzed. The studies suggest that, following CT, improvements in NP may lead to enhanced endurance running performance (ERP) through greater efficiency of mechanisms associated with increases in maximal strength, reactive strength index, and jump height. From a biomechanical perspective, this effect is likely to result from a more efficient application of force during the stance phase, which consequently influences the characteristics of the generated impulse. Several factors related to muscle function within the stretch– shortening cycle (SSC) appear to support this relationship, including: (1) increased rate of force development (RFD), (2) greater efficiency of eccentric muscle actions, (3) increased muscle stiffness, (4) improved orientation of force vectors, and (5) greater efficiency of muscular work