Caracterização petrográfica-petrológica do complexo São Francisco do Sul, Terreno Paranaguá
Resumo
Resumo: Correspondente a um complexo gnáissico-migmatítico paleoproterozoico, retrabalhado no Neoproterozoico, o Complexo São Francisco do Sul representa ao embasamento do Terreno Paranaguá, um dos vários fragmentos litosféricos envolvidos nas colisões decorrentes evento Brasiliano/Pan-Africano na porção sudoeste do Gondwana. Apesar da existência de rochas gnáissicas na região do litoral do estado do Paraná ser reconhecida desde a primeira metade do século 20, somente há pouco mais de uma década o Complexo São Francisco do Sul foi individualizado e descrito formalmente, de modo que o conhecimento sobre o mesmo ainda apresenta várias questões em aberto. Neste contexto, o presente trabalho visa expor novos dados acerca destes litotipos, a partir de investigações petrográficas e petrológicas. Com a análise de 15 lâminas delgadas, provenientes de quatro pontos distintos do Terreno Paranaguá, foi possível definir e caracterizar quatro conjuntos de litotipos pertencentes ao Complexo São Francisco do Sul, correspondente aos granitóides, aos ortognaisses, aos milonitos e aos anfibolitos. Através da análise da morfologia de determinados minerais traço, foi possível também reiterar o caráter ígneo para o protólito dos ortognaisses da unidade, e identificar o conjunto caracterizado como granitóides como correspondente a esta rocha original, em um estado relativamente pouco deformado. Em contrapartida, a análise das feições de recristalização em litotipos miloníticos sugere um pico de temperatura da ordem de 550 – 600 ºC para o processo de milonitização, com subsequente resfriamento do sistema. Ainda dentro deste contexto, as amostras classificadas como anfibolitos foram entendidas como enclaves máficos, similares aos descritos por outros autores em investigações de campo. Com a associação de dados geocronológicos foi possível inferir que o principal evento de metamorfismo ocorreu ainda no período ediacarano (626 ± 25 Ma), mas que o sistema permaneceu sob elevadas temperaturas, superiores a 300 ºC, possivelmente por um período de tempo superior a 100 Ma, até os momentos iniciais do período Cambriano. Em contrapartida, a idade paleoproterozóica de 2072 ± 48 Ma corresponderia a cristalização do protólito granítico. Não foram identificadas microfeições de migmatização nas lâminas delgadas investigadas, o que associado a descrições de campo que relatam a ocorrência destes litotipos bastante próximos a locais de origem das amostras analisadas, permite pressupor que exista um controle estrutural para o processo de migmatização, em especial através de zonas cisalhamento Abstract: Corresponding to a Paleoproterozoic gneiss-migmatitic complex, reworked in the Neoproterozoic, the São Francisco do Sul Complex represents the basement of the Paranaguá Terrane, one of several lithospheric fragments involved in the collisions associated to the Brasiliano/Pan-African event in the southwestern portion of Gondwana. Although the existence of gneissic rocks in the coastal region of the state of Paraná has been recognized since the first half of the 20th century, only a little over a decade ago the São Francisco do Sul Complex was individualized and formally described, so that the knowledge about it still presents several open questions. In this context, the present work aims to expose new data about these lithotypes, from petrographic and petrological investigations. With the analysis of 15 thin sections from four different points of the Paranaguá Terrane, it was possible to define and characterize four sets of lithotypes belonging to the São Francisco do Sul Complex, corresponding to granitoids, orthogneisses, mylonites and amphibolites. Through the analysis of the morphology of certain trace minerals, it was also possible to reiterate the igneous character for the protolith of the unit's orthogneisses, and identify the set characterized as granitoids as corresponding to this original rock, in a relatively undeformed state. On the other hand, the analysis of recrystallization features in mylonitic lithotypes suggests a temperature peak in the order of 550 - 600ºC for the milonitization process, with subsequent cooling of the system. Also within this context, samples classified as amphibolites were understood as mafic enclaves, similar to those described by other authors in field investigations. With the association of geochronological data, it was possible to infer that the main metamorphism event still occurred in Ediacaran period (626 ± 25 Ma), but that the system remained at high temperatures, above 300ºC, possibly for a period of time greater than 100 Ma, until early moments of the Cambrian period. On the other hand, the Paleoproterozoic age of 2072 ± 48 Ma would correspond to the crystallization of the granitic protolith. No migmatization microfeatures were identified in the thin sections investigated, which associated with field descriptions that report the occurrence of these lithotypes very close to the places of origin of the analyzed samples, allows us to assume that there is a structural control for the migmatization process, in particular through shearzones
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