Percepção de risco e comportamento de pedestres : qual a realidade uma década depois?
Resumo
Resumo: No mundo, os acidentes de trânsito ocupam a 8ª posição em causa de mortes entre todas as idades e a 1ª causa entre crianças e jovens de 15 a 29 anos. Entre tantas vítimas, estão os motociclistas, pedestres e ciclistas. Um dos fatores responsáveis por esses elevados índices de sinistros de trânsito com pedestres, é a percepção do risco dos mesmos frente aos possíveis riscos presentes em seus comportamentos. Essa pesquisa tem como objetivo compreender os comportamentos de risco dos pedestres. O estudo foi dividido em outros três estudos. Uma revisão sistemática de literatura com a pergunta "O que se sabe sobre comportamento de risco de pedestres?" e dois estudos empíricos. O primeiro foi um estudo com o objetivo de pesquisar se há relação entre percepção de risco e comportamentos de risco aplicadas ao contexto do pedestre. O segundo foi um estudo observacional naturalístico da frequência dos comportamentos de risco. Ambos estudos foram realizados em Curitiba. A cidade apresenta o maior índice de pedestres que foram à óbito no ano de 2020 no Paraná. No primeiro estudo, os resultados das análises de 39 artigos apresentaram os principais comportamentos de riscos por parte dos pedestres encontrados na literatura revisada de forma sistemática. São eles: o uso do celular enquanto caminha, uso inadequado do semáforo, travessia de via, faixa de pedestre e passagem de nível de forma não segura. O segundo, foi realizado com 468 universitários de Curitiba, utilizando três instrumentos de pesquisa: Escala de Percepção de Risco (EPR) buscando mensurar o nível de segurança julgado pelo participante de determinados comportamentos, a Escala de Comportamento do Pedestre (ECP-BR) com o objetivo de mensurar a frequência dos comportamentos de risco dos pedestres e um questionário sóciodemográfico. Os resultados indicam que aqueles que cometiam menos comportamentos de risco, avaliavam tais comportamentos como mais arriscados de serem realizados. Também apontaram que as médias em relação à frequência dos comportamentos de risco e avaliação dos mesmos se mantiveram por mais de uma década. Por fim, o terceiro estudo se refere a uma observação naturalística sobre os comportamentos de risco dos pedestres encontrados na literatura. Para isso, foi utilizada uma estratégia de observação em dois pontos centrais da cidade. O comportamento de risco mais frequente foi "Atravessar a via enquanto a passagem sinalizada de pedestres estiver vermelha" (58,3%). Foi encontrada associação estatisticamente significativa entre gênero e "atravessar fora da faixa de pedestre". Houveram mais casos observados do que o esperado de mulheres com esse comportamento. Assim, foi possível fazer um panorama geral do que a literatura apresenta, como os pedestres se auto avaliam e como se comportam no seu dia-a-dia no trânsito, podendo então, cumprir o objetivo deste trabalho de compreender os comportamentos de risco dos pedestres. Abstract: In the world, traffic accidents rank 8th in causing deaths among all ages and the 1st cause among children and young people aged 15 to 29. Among so many victims are motorcyclists, pedestrians and cyclists. One of the factors responsible for these high rates of traffic accidents involving pedestrians is their perception of risk in relation to the possible risks present in their behaviors. This research aims to understand the risk behaviors of pedestrians. The study was divided into three other studies. A systematic literature review with the question "What is known about pedestrian risk behavior?" and two empirical studies. The first was a study with the objective of researching whether there is a relationship between risk perception and risk behaviors applied to the pedestrian context. The second was a naturalistic observational study of the frequency of risk behaviors. Both studies were carried out in Curitiba. The city has the highest rate of pedestrians who died in 2020 in Paraná. In the first study, the results of the analyzes of 39 articles presented the main risk behaviors on the part of pedestrians found in the literature reviewed in a systematic way. They are: using a cell phone while walking, inappropriate use of traffic lights, crossing roads, pedestrian crossings and crossing levels in an unsafe manner. The second was carried out with 468 university students from Curitiba, using three research instruments: Risk Perception Scale (EPR) seeking to measure the level of safety judged by the participant of certain behaviors, the Pedestrian Behavior Scale (ECP-BR) with the objective of measuring the frequency of pedestrian risk behaviors and a sociodemographic questionnaire. The results indicate that those who committed fewer risky behaviors evaluated these behaviors as more risky to carry out. They also pointed out that the averages regarding the frequency of risk behaviors and their assessment remained the same for more than a decade. Finally, the third study refers to a naturalistic observation of pedestrian risk behaviors found in the literature. For this, an observation strategy was used in two central points of the city. The most frequent risk behavior was "Crossing the road while the marked pedestrian crossing is red" (58.3%). A statistically significant association was found between gender and "crossing outside the crosswalk". There were more cases observed than expected of women with this behavior. Thus, it was possible to provide a general overview of what the literature presents, how pedestrians self- evaluate and how they behave in their daily lives in traffic, thus being able to fulfill the objective of this work of understanding the risk behaviors of pedestrians.
Collections
- Dissertações [303]