Avaliação nutricional e terapia nutricional em fístulas enterocutâneas e enteroatmosféricas : uma revisão de escopo
Resumo
Resumo: As fístulas entéricas são comunicações anormais entre o intestino e a pele (enterocutânea) ou ambiente externo (enteroatmosférica), e podem ser classificadas de acordo com seu débito, localização anatômica, etiologia e profundidade. O cuidado nutricional nestes pacientes é essencial para o sucesso do tratamento, que pode ser conservador ou cirúrgico. A terapia nutricional pode auxiliar no equilíbrio da perda de efluentes e na cicatrização, e monitoramento do estado nutricional nesses casos é crucial para melhores desfechos. Para responder à pergunta "Quais são as ferramentas e estratégias nutricionais utilizadas na avaliação e no tratamento de fístulas enterocutâneas e enteroatmosféricas?", foi elaborada uma revisão de escopo baseada nos manuais do Joanna Briggs Institute e reportada por meio do roteiro de relato Prisma-ScR. Foram incluídas publicações a partir de 2016, sem restrições de idade, sexo ou idioma. Artigos de revisão e aqueles que não especificavam a intervenção nutricional foram excluídos, assim como aqueles que incluíssem pacientes com erros inatos do metabolismo. As estratégias de busca foram elaboradas com auxílio de um bibliotecário e foram aplicadas no PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Cochrane Central Register of Controled Trials (CENTRAL) e Embase. As etapas de busca, seleção dos estudos, análise de elegibilidade e a extração dos dados foram realizadas por dois autores de forma independente, e as discordâncias resolvidas por um terceiro revisor. Dos 5.144 artigos encontrados, 85 foram elegíveis: 44 relatos de caso, 39 estudos de coorte e dois ensaios clínicos. A maioria foi conduzida em ambiente hospitalar e envolveu adultos ou idosos. As fístulas enterocutâneas foram as mais citadas, e 26 incluíram fístulas enteroatmosféricas. Pelo menos um método de avaliação nutricional foi relatado por 59 dos 85 estudos, sendo os principais: exames bioquímicos, IMC e dados antropométricos. Poucos autores reportaram a avaliação de risco nutricional e desnutrição. Para determinar as necessidades nutricionais, dois estudos utilizaram calorimetria indireta, e 16 consideraram o cálculo de kcal/kg e gramas de proteína/kg de peso atual ou ideal. Não foi possível estratificar a via de alimentação quanto à localização ou o débito da fístula. A via de nutrição mais prevalente foi a parenteral, seguida pela nutrição enteral, nutrição oral, reinfusão de quimo e fistulóclise. A suplementação de nutrientes específicos (glutamina, triglicerídeos de cadeia média, multivitamínicos, proteína hidrolisada, arginina, zinco e probióticos com fitoterápicos) foi reportada em dez estudos, contudo não foi possível estabelecer para todos eles a dosagem, frequência ou duração do tratamento. Espera-se que esta revisão oriente futuros estudos observacionais e de intervenção nutricional para fornecer recomendações baseadas em evidências para a prática clínica. Registro na OSF: T92BQ Abstract: Enteric fistulas are abnormal communications between intestine and the skin (enterocutaneous) or external environment (enteroatmospheric), and can be classified according to their output, anatomical location, etiology and depth. Treatment can be conservative/clinical or surgical, and in both cases, nutritional therapy can help balance effluent loss and promote healing. Monitoring nutritional status in these cases is crucial for achieving better outcomes. To answer the question "What nutritional strategies are used in the evaluation and treatment of enterocutaneous and enteroatmospheric fistulas?", a scoping review was conducted based on the Joanna Briggs Institute guidelines and reported according to the PRISMA-ScR checklist. Publications from 2016 onward were included, with no restrictions on age, sex, or language. Review articles and those that did not specify nutritional intervention were excluded, as well as studies including patients with inborn errors of metabolism. Search strategies were developed with the assistance of a librarian and applied in PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), and Embase. Stages of search, study selection, eligibility analysis, and data extraction were performed independently by two authors, and disagreements were resolved by a third reviewer. Of the 5,144 articles retrieved, 85 were eligible: 44 case reports, 39 cohort studies, and two clinical trials. The majority were conducted in a hospital setting and involved adults or elderly individuals. Enterocutaneous fistulas were the most frequently cited, and 26 included enteroatmospheric fistulas. At least one nutritional assessment method was reported by 59 of the 85 studies, the main ones being: biochemical tests, BMI, and anthropometric data. Few authors reported nutritional risk and malnutrition assessment. To determine nutritional needs, two studies used indirect calorimetry, and 16 considered the calculation of kcal/kg and grams of protein/kg of actual or ideal body weight. It was not possible to stratify the feeding route according to fistula location or subsidence. The most prevalent feeding route was parenteral, followed by enteral nutrition, oral nutrition, chyme reinfusion, and fistuloclysis. Specific nutrient supplementation (glutamine, medium-chain triglycerides, multivitamins, hydrolyzed protein, arginine, zinc, and probiotics with herbal extracts) was reported in ten studies, but it was not possible to establish the dosage, frequency, or duration of treatment for all of them. Methodological flaws and heterogeneous reports hinder data analysis. This review is expected to guide future observational and interventional studies to provide evidence-based recommendations for clinical practice. OSF Registration: T92BQ
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