Carnavalizando a vida : a importância das velhas guardas de escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro/RJ
Resumo
Resumo: O presente trabalho de conclusão do curso de graduação em Artes investe no entendimento das possibilidades de superação do etarismo pela Arte para pessoas idosas e, para tal, foca no contexto de espaços onde transparece uma inclusão orgânica de pessoas idosas: as Escolas de Samba, mais especificamente no componente denominado "Velha Guarda". Essas instituições dentro das diversas escolas de samba guardam a história do samba, de suas respectivas escolas e corporificam a resistência identitária negra ante processos de migração forçada e perseguição estatal. Para além de serem manifestações artísticas, a cultura do samba e o carnaval carioca, (re)arquitetado da festividade milenar, são, sobretudo, uma estratégia de enfrentamento político ao racismo, também denominada aquilombamento, por tratar-se de uma ode às inteligências e criatividades negra e periférica. Nesse contexto, a presença dos idosos da Velha Guarda representam um modo político de estar no mundo, com reflexos na saúde global deles. O objetivo geral dessa pesquisa foi discutir se há valorização da Velha-Guarda pela criação artística das Escolas de Samba nos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro/RJ em 2025, tendo em vista a sua importância no aquilombamento dessas Escolas. Para atingi-lo foram elencados os seguintes objetivos específicos: (i) compreender o papel da Velha Guarda nas escolas de samba cariocas; (ii) entender como opera o etarismo na sociedade brasileira não-indígena contemporânea e como as trocas propiciadas pelo convívio nas agremiações pode constituir-se em potente ferramenta para a promoção da saúde global dos idosos; iii) analisar como os idosos são retratados na Velha Guarda das escolas de samba do Rio de Janeiro na contemporaneidade, considerando a estética, a história e a identidade cultural carnavalesca; iv) analisar como os enredos, fantasias, samba e possíveis carros alegóricos que transportaram a Velha Guarda no desfiles refletem a imagem e a representação dos idosos no Carnaval, considerando elementos como decoração, iluminação e simbologia. O desenho metodológico foi pesquisa qualitativo do tipo estudo de caso. A pesquisa conclui que as escolas de samba, especialmente por meio das Velhas Guardas, constituem espaços onde idosos são reconhecidos como guardiões de conhecimento, história e identidade coletiva. Assim, a Arte — neste caso, o samba e o carnaval enquanto procissão multiartística — configura-se como prática social capaz de enfrentar tanto o etarismo quanto o racismo ao promover pertencimento, participação e reconhecimento simbólico das pessoas idosas
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- Artes (Litoral) [140]