Óleos essenciais da geoprópolis de abelhas nativas (Melipona quadrifasciata) das microrregiões de Curitiba e Paranaguá (Paraná) : composição química e potencial biológico
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Data
2025Autor
Pereira, André Baptista Gonçalves
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Resumo: O Brasil concentra a maior diversidade de espécies de abelha da tribo Meliponini no mundo, dentre as espécies de Abelhas-Sem-Ferrão mais populares, a Melipona quadrifasciata é a segunda mais manejada por meliponicultores do litoral do Paraná. O presente estudo se baseou na bioprospecção dos óleos essencias encontrados na geoprópolis de M. quadrifasciata, das microrregiões de Curitiba e Paranaguá (PR). Objetivou-se identificar os compostos voláteis extraídos, realizar testes in-vitro frente a bactérias Gram-positiva (Staphylococcus aureus) e Gram-negativa (Escherichia coli), conduzir testes in-vivo em modelo zebrafish (Danio rerio), afim de avaliar toxicidade, locomoção e atividade ansiolítica pela administração de óleos essenciais, também produzir protótipos de incorporação dos compostos em alginato de sódio. As amostras de geoprópolis, obtidas pela contribuição das associações AMAMEL – Mandirituba/PR e AME – Litoral, foram trituradas e submetidas ao processo de hidrodestilação por arraste de vapor, do tipo clevenger, a fração lipofílica foi coletada e armazenada (4ºC). A cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS) foi utilizada para a análise dos compostos voláteis, os índices aritméticos de retenção (IR) foram calculados e a identificação dos picos foi obtida por comparação com a literatura de referência. O teste da atividade biológica antimicrobiana foi realizado, in-vitro, frente as bactérias S. aureus e E. coli, pelo método de disco difusão. Os testes in-vivo foram realizados, através do animal modelo zebrafish adulto, para toxicidade (96h), locomoção (campo aberto) e atividade ansiolítica (claro/escuro). Foram desenvolvidos protótipos de reticulação dos óleos essenciais em alginato de sódio pelo processo de gelificação iônica, em forma de cápsulas, e hidrogeis. A hidrodestilação das amostras de geoprópolis proporcionou um rendimento médio entre 0,50 e 1,59%. Foram identificados 36 compostos voláteis nas cinco amostras analisadas. As amostras da microrregião de Curitiba apresentaram principalmente monoterpenos (86,2-94,6%), com os compostos majoritários a-Pineno (54,70-63,70%) e ß-Pineno (11,70-27,00%). Na microrregião de Paranaguá a amostra analisada apresentou predominância de sesquiterpenos (70,25%), com compostos de maior área relativa ß-Bisaboleno (30,86%) e a-Pineno (14,58%). Os testes antimicrobianos não apresentaram inibição contra E. coli, porém obteve-se inibição moderada frente a bactéria S. aureus. Através do modelo zebrafish, seis amostras foram testadas para toxicidade e três não apresentaram toxicidade, sem dose letal até 40mg/kg, contudo outras três indicaram toxicidade, com dose letal menor que 4mg/kg. No teste de locomoção todas as amostras induziram redução significativa no padrão de natação dos animais, compatível com efeito sedativo. Pelo teste de atividade ansiolítica, observou-se a diminuição do padrão ansioso nos animais em quatro amostras, uma na menor dose (4mg/kg) e outras três na dose intermediária (20mg/kg). Foram alcançados protótipos de encapsulamento dos óleos em macrocapsulas de alginato de sódio e hidrogéis, através da gelificação iônica, essa tecnologia pode ser aprimorados com implementação em biocosméticos, na indústria alimentar ou na saúde. Os resultados indicam que os óleos essenciais da geoprópolis de M. quadrifasciata são uma ótima fonte em potencial de bioativos, sua composição, é contudo, influenciada por fatores geográficos, florísticos e sazonais. Ressalta-se que pesquisas devem ser produzidas para elucidar a composição e variedade de compostos voláteis encontrados neste valioso subproduto da meliponicultura