Análise comparativa de duas versões adaptadas do Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey e sua relação com medidas de fluência verbal e não verbal
Resumo
Resumo: Reavaliações com o Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT) podem gerar efeitos de aprendizagem, comprometendo a validade dos resultados. No Brasil, ainda não existem estudos comparativos entre versões adaptadas do teste em indivíduos saudáveis. Este estudo comparou os escores obtidos nas versões A e B adaptadas do RAVLTA, rotineiramente utilizadas na avaliação neuropsicológica de pacientes com epilepsia, e investigou os efeitos da idade, da escolaridade e da versão aplicada. Dada a reconhecida sobreposição já descrita na literatura entre memória verbal e funções executivas, esse estudo também investigou as associações entre as curvas de aprendizagem do RAVLT-A e o desempenho em tarefas de fluência verbal (fonêmica e semântica) e não verbal (Teste dos Cinco Pontos; TCP) em adultos saudáveis da cidade de Curitiba (PR) e região metropolitana. Tratase de um estudo transversal com 188 adultos cognitivamente saudáveis, aleatoriamente distribuídos em dois grupos (A ou B). Foram realizadas análises comparativas entre os grupos e modelos de regressão linear multivariada para examinar o impacto da idade, da escolaridade e da versão nos escores do RAVLT-A. Não foram observadas diferenças significativas entre as versões A e B do RAVLT-A (p > 0,05). A regressão linear indicou influência significativa da idade e, especialmente, da escolaridade no desempenho das variáveis do teste. A versão utilizada não apresentou impacto estatisticamente relevante nos escores. A curva de aprendizagem do RAVLT-A correlacionou-se moderadamente com a fluência verbal (TFV) e de maneira fraca com a fluência não verbal (TCP). O TCP apresentou correlações com as etapas de cópia das figuras complexas, mais evidentes em participantes com menor escolaridade. Os achados demonstram comparabilidade entre as versões A e B, apoiando seu uso alternado em reavaliações para reduzir os efeitos de aprendizagem. Idade e, sobretudo, escolaridade influenciaram significativamente o desempenho, ressaltando a necessidade de dados normativos estratificados por ambas as variáveis, uma vez que os comumente utilizados no Brasil são estratificados apenas por idade. Nossos achados também sugerem que funções executivas contribuem para a codificação e recuperação verbal estratégicas, reforçando o valor da curva de aprendizagem na prática clínica Abstract: Reassessments with the Rey Auditory Verbal Learning Test (RAVLT) may generate learning effects, compromising the validity of the results. In Brazil, there are still no comparative studies between adapted versions of the test in healthy individuals. This study compared scores obtained on versions A and B of the RAVLT-A, routinely used in the neuropsychological assessment of patients with epilepsy, and investigated the effects of age, education, and version used. Given the recognized overlap between verbal memory and executive functions, the study also investigated associations between RAVLT-A learning curves and performance on verbal fluency (phonemic and semantic) and nonverbal fluency (Five-Point Test; FPT) in healthy adults from southern Brazil. This prospective study included 188 cognitively healthy adults, randomly assigned to two groups (version A or B). Comparative analyses between groups and multivariate linear regression models were conducted to examine the impact of age, education, and version on RAVLT-A scores. No significant differences were observed between versions A and B of the RAVLT-A (p > 0.05). Linear regression indicated a significant influence of age and, especially, education on performance across the test variables. The version used had no statistically relevant impact on the scores. The RAVLT-A learning curve correlated moderately with verbal fluency and weakly with nonverbal fluency. The FPT correlated with complex-figure copy tests, with stronger associations among participants with lower educational attainment. This is the first Brazilian study to examine two adapted versions of the RAVLT-A in healthy adults. The findings demonstrate comparability between versions A and B, supporting their alternate use in reassessments to reduce practice effects. Age and, especially, education significantly influenced performance, emphasizing the need for normative data stratified by both variables, since those commonly used in Brazil are stratified only by age. Our findings also suggest that executive functions contribute to strategic verbal encoding and retrieval, reinforcing the clinical value of the learning-curve approach
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