Avaliação genética de possíveis casos de deficiência de descarboxilases de aminoácidos aromáticos em pacientes com atraso do neurodesenvolvimento e transtornos motores
Resumo
Resumo: A paralisia cerebral (PC) é causada por lesões neuronais de origem gestacional, obstétrica ou perinatal. Estas lesões podem ser desencadeadas por hipóxia, hipoglicemia, traumatismo, hemorragia, infecções, exposição a substâncias químicas e alterações genéticas como a deficiência da descarboxilase de aminoácidos aromáticos (AADCD, do inglês Aromatic L-amino acid decarboxylase deficiency). A AADCD é uma doença rara, com padrão autossômico recessivo e com mais de 580 variantes genéticas já descritas. As principais manifestações clínicas da AADCD são crises oculogíricas, hipotonia, alterações autonômicas, distúrbios do neurodesenvolvimento e transtornos motores (DNTM). O diagnóstico da AADCD, normalmente clínico, pode ser confirmado por exames bioquímicos e genéticos. Análises genéticas realizadas por sequenciamento de nova geração (NGS, do inglês Next Generation Sequencing) permitem identificar novas variantes gênicas. Em relação ao tratamento da AADCD, os fármacos disponíveis apresentam eficácia limitada aos casos leves. Entretanto, terapia gênica recentemente desenvolvida e aprovada no Brasil (eladocageno exuparvoveque) demonstram resultados promissores incluindo os quadros clínicos moderados e graves. Diante disso, esse estudo teve como objetivo determinar possíveis casos de DDC bem como caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico de pacientes com PC/DNTM. A partir de células da mucosa bucal, foi realizado painel genético (121 genes), por meio de NGS, em 44 pacientes com DNTM atendidos por uma Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais localizada em município da região Oeste do Paraná, Brasil. Os resultados, descritos de forma quantitativa, foram analisados pelo teste do qui Quadrado (p<0,05*) para avaliar a associação entre as variáveis categóricas e suas respectivas frequências observadas e esperadas. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Paraná (parecer nº 6.568.371 e C.A.A.E. 74574323.1.0000.0102). Painel genético apresentou resultado ausente para DDC em todos os pacientes. Contudo, um participante apresentou alteração genética em heterozigose não relacionada a DDC e considerada de significado clínico incerto (gechr6:161.973.300-166.167.591, CNV-deleção de 4.2 Mb em 6q26q27). Amostra caracterizada por participantes predominantemente do sexo masculino (59,1%), com idade inferior a 18 anos (52,3%), renda familiar per capita de 1 salário mínimo (59,3%) e autodeclarada branca (65,9%). Mediana da idade foi de 12 anos. Identificou-se 6,7% de casamentos consanguíneos. Frequência de genitores com idade avançada (maior que 40 anos) no nascimento foi menor (p=0,002*) que a observada na população. Já o histórico familiar de atraso do neurodesenvolvimento (p<0,0001*), idade materna de risco para cromossomopatias (p=0,019*), histórico de complicações gestacionais (p<0,0001*) e nascimento prematuro (p=0,002*) tiveram frequências maiores que o esperado. Parto cesáreo foi relatado em 44,8% dos casos. Exposição e/ou consumo de álcool, tabaco e outras drogas na gestação foi de 8%. Necessidade de fototerapia, registro de Apgar inferior a 7 no 1º e no 5º minutos e tempo de permanência na maternidade superior a 5 dias foram registrados em 37,5%, 20% e 50% dos pacientes, respectivamente. A prevalência de atraso em alguma fase do neurodesenvolvimento motor variou de 81,5% (idade em que sentou sozinho/não sentou) a 96,2% (idade em que andou/não andou). Apesar da ausência de DDC, revisão bibliográfica realizada aponta que os testes genéticos, diferentemente do recomendado atualmente, devem ser aplicados em qualquer idade e quadro clínico de DNTM Abstract: Neuronal injuries of gestational, obstetric or perinatal origin cause the Cerebral Palsy (CP). Hypoxia, hypoglycemia, trauma, hemorrhage, infections, exposure to chemical substances and genetic changes, such as aromatic amino acid decarboxylase deficiency (AADCD), triggered the neuronal injuries. AADCD is a rare disease, with an autosomal recessive pattern and with more than 580 genetic variants already described. The main clinical manifestations of AADCD are oculogyric crises, hypotonia, autonomic changes, neurodevelopmental disorders and motor disorders (NDTM). The diagnosis of AADCD, normally clinical confirmed by biochemical and genetic tests. Genetic analyzes carried out by next generation sequencing (NGS) make it possible to identify new gene variants. Regarding the treatment of AADCD, the available drugs have limited effectiveness in mild cases. However, gene therapy recently developed and approved in Brazil (eladocageno exuparvoveque) demonstrates promising results including moderate and severe clinical conditions. The objective of this research was to determine possible cases of AADCD as well as characterize the sociodemographic and clinical profile of patients with CP/NDTM. Using cells from the oral mucosa, a genetic panel (121 genes) carried out, using NGS, in 44 patients with NDTM cared for by an Association of Parents and Friends of Disabled People located in a municipality in the western region of Paraná, Brazil. The results, described quantitatively, were analyzed using the chi-square test (p<0.05*) to evaluate the association between the categorical variables and their respective observed and expected frequencies. The Research Ethics Committee of the Federal University of Paraná (approval opinion n º 6.568.371 and C.A.A.E. 74574323.1.0000.0102) approved this research. Genetic panel showed missing results to AADC gene for all patients. However, one participant presented heterozygous genetic alteration unrelated to AADCD and considered of uncertain clinical significance (gechr6:161,973,300-166,167,591, CNV-deletion of 4.2 Mb in 6q26q27). Sample characterized by predominantly male participants (59.1%), under the age of 18 (52.3%), per capita family income of one minimum wage (59.3%) and self-declared white (65.9%). Median age was 12 years. Identified 6.7% of consanguineous marriages. The frequency of parents with advanced age (over 40 years old) at birth was lower (p=0.002*) than that observed in the population. Family history of neurodevelopmental delay (p<0.0001*), maternal age at risk for chromosomal defects (p=0.019*), history of gestational complications (p<0.0001*) and premature birth (p=0.002*) had higher frequencies than expected. The 44.8% of cases reported cesarean delivery. Exposure and/or consumption of alcohol, tobacco and other drugs during pregnancy was 8%. The 37.5%, 20% and 50% of patients, respectively, reported need for phototherapy, Apgar score of less than 7 in the 1st and 5th minutes and length of stay in the maternity ward of more than 5 days. The prevalence of delay in some phase of motor neurodevelopment ranged from 81.5% (age at which he sat alone/did not sit) to 96.2% (age at which he walked/did not walk). Despite the absence of AADCD, a bibliographic review carried out indicates that genetic tests, currently not recommended, should applied at any age and clinical condition of NDTM
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