Avaliação de disfunção sexual em mulheres com infertilidade em tratamento com reprodução assistida
Resumo
Resumo: A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal alcançar a gestação após um ano de relações sexuais regulares sem preservativo. O aumento da infertilidade ao redor do mundo tem impacto negativo no desejo e na função sexual dos casais, devido à necessidade de se planejar o ato sexual. Nosso trabalho teve como objetivo estudar a disfunção sexual em pacientes mulheres com diagnóstico de infertilidade, comparando-as com controles saudáveis e verificar se há associação de variáveis epidemiológicas, relação entre número de tentativas de tratamento e doenças associadas à disfunção sexual neste grupo de pacientes. Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, analítico e não probabilístico baseado em questionário online. Mulheres inférteis e os controles preencheram um questionário sobre dados epidemiológicos, doenças associadas e intervenções de reprodução assistida. Também responderam aos questionários validados da Índice Função Sexual Feminina (FSFI) e o Short-Form Health Survey (SF-12) para avaliar o desempenho sexual e saúde física e mental. A pesquisa foi respondida por 357 indivíduos: 157 mulheres com infertilidade e 200 controles pareados. A disfunção sexual avaliada pelo FSFI (grupo inférteis e grupo controle) e a saúde física e mental pelo SF-12 (apenas grupo inférteis). Houve diferença entre a taxa de disfunção sexual nos grupos avaliados, sendo de 39,5% (n=62) nas pacientes com infertilidade e de 32% (n=64) no grupo controle (p=0,148). Os escores nos domínios excitação e lubrificação foram significativos para o grupo das pacientes inférteis, com valores de p=0,003 e p<0,0001, respectivamente. Neste grupo, a maioria tem boa saúde física e metade tem boa saúde mental. A taxa de depressão foi de 12,7% (n=20). Pacientes que têm depressão têm pior escore no FSFI (p=0,009). A escolaridade, avaliada em anos de estudo, não influencia nos resultados totais do FSFI, tanto nas pacientes com infertilidade quanto no grupo controle, mesmo havendo disparidade entre os anos de estudo do último grupo. Em relação a saúde física avaliada pelo SF-12, apenas a endometriose teve relação com um pior escore neste questionário (p=0,138). Não houve diferença entre os grupos nos demais itens avaliados. 27,4% (n=17) das pacientes tem depressão e disfunção sexual associada (p<0,0001). Uma pior saúde mental foi relacionada com pacientes com maior risco para piores taxas de disfunção sexual (p<0,0001). Pôde-se concluir, dessa forma, que pacientes com infertilidade tem piores taxas de disfunção sexual do que o grupo controle, principalmente nos domínios excitação e lubrificação. Portanto, é necessário maior atenção à saúde mental e psicológica no atendimento dessa população. Abstract: Infertility is defined as the inability of a couple to achieve pregnancy after one year of regular sex without a condom. The increase in infertility around the world has a negative impact on the sexual desire and function of couples, due to the need to plan the sexual act. Our study aimed to study sexual dysfunction in female patients diagnosed with infertility, comparing them to healthy controls and to verify whether there is an association of epidemiological variables, the relationship between the number of treatment attempts and diseases associated with sexual dysfunction in this group of patients. This is a quantitative, cross-sectional, analytical and nonprobabilistic study based on an online questionnaire. Infertile women and controls completed a questionnaire on epidemiological data, associated diseases, type and quantity of assisted reproduction interventions. They also answered validated questionnaires from the Female Sexual Function Index (FSFI) and the Short-Form Health Survey (SF-12) to assess sexual performance and physical and mental health. The survey was completed by 357 individuals: 159 infertility patients and 200 matched controls. Sexual dysfunction assessed by FSFI and physical and mental health by SF- 12. There was a difference between the rate of sexual dysfunction in the groups evaluated, being 39.5% (n=62) in patients with infertility and 32% (n=64) in the control group (p=0.148). The scores in the excitation and lubrication domains were significant for the group of infertile patients, with values of p=0.003 and p<0.0001, respectively. In this group, most are in good physical health and half are in good mental health. The depression rate was 12.7% (n=20). Patients who have depression have the worst score on the FSFI (p=0.009). Schooling, assessed in years of study, does not influence the total results of the FSFI, both in patients with infertility and in the control group, even with a disparity between the years of study in the last group. Regarding physical health assessed by the SF-12, only endometriosis was associated with a worse score in this questionnaire (p=0.138). There was no difference between groups in the other items evaluated. 27.4% (n=17) of patients have depression and associated sexual dysfunction (p<0.0001). Poorer mental health was related to patients at higher risk for sexual dysfunction (p<0.0001). Thus, it could be concluded that patients with infertility have worse rates of sexual dysfunction than the control group, especially in the arousal and lubrication domains. Therefore, greater attention to mental and psychological health is needed in serving this population.
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