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dc.contributor.advisorGuérios, Paulo Renato, 1971-pt_BR
dc.contributor.authorDoberstein, Juliano Martinspt_BR
dc.contributor.otherUniversidade Federal do Paraná. Setor de Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Antropologiapt_BR
dc.date.accessioned2020-06-12T20:57:59Z
dc.date.available2020-06-12T20:57:59Z
dc.date.issued2017pt_BR
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1884/49487
dc.descriptionOrientador: Dr. Paulo Renato Guériospt_BR
dc.descriptionDissertação (mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Defesa: Curitiba, 31/07/2017pt_BR
dc.descriptionInclui referências : f. 280-289pt_BR
dc.description.abstractResumo: Certas tradições de interpretação social do sul do Brasil sublinham o lugar da imigração europeia na formação racial e étnica regional, gerando um diacrítico ao país negro e mulato. No Rio Grande do Sul, a antropologia já observou entre os gaúchos uma diferença imaginada entre a parte e o todo. Em Santa Catarina, a construção científica da ideia do "vazio" de gente ocupado pelo imigrante. No Paraná também se nota a ocorrência da mitologia do território branco, gerado da colonização europeia e sem presença negra. David Carneiro (1904-1990), intelectual já considerado "o último dos paranistas" e homem processado por incentivo ao regionalismo, foi um dos responsáveis pelo prestígio social dessa mitologia, compartilhada com Romário Martins e outros atores do paranismo. Entretanto, foi também o primeiro assistente regional do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), órgão do centralizador Estado Novo que, segundo a literatura especializada, buscava compor sem regionalismos a imagem do país. Dividido e movido pelo não-essencialismo, combinava um orgulho regionalista do paranaense branco com críticas de fundo nacionalista a quem procurava insinuar a sua falta de brasilidade. Gaúcho migrado para o Paraná, estranhava que a ideia da diversidade da gente e da natureza deste estado sul-brasileiro estivessem tão alinhadas com imagens de unidade, que, como sempre fez David Carneiro, destacavam as conexões dos (ante)passados nacional e paranaense. A Revolução Farroupilha, marco celebrado da ancestral singularidade gaúcha, contrastava com o Cerco da Lapa, tido como símbolo da unidade do Paraná com o Brasil. Sua compreensão do Paraná como uma antiga parte do todo brasileiro, aliás, esteve na origem da acusação de regionalismo. Motivou-o a desafiar o adversário Wilson Martins, regionalista (anti)paranista que simbolizaria, com o livro Um Brasil diferente, a ideia do "vazio" local tomado pelos imigrantes promotores da distinção entre a parte e o todo. Sugiro então que uma segmentação dos pensadores do Paraná branco, que dividiam preconceitos contra a raça e a cultura das etnias negras, mas ao mesmo tempo lutavam pela consagração de uma identidade social regional (europeia) de linhagem ou imigrante ou portuguesa, ajuda a explicar o nacionalismo de David Carneiro. O regionalista convicto, acreditando no processo de "branqueamento" nacional em curso, encontrou na legitimação do patrimônio das "colonizações primitivas", anteriores às imigrações "extra-íberas", uma conexão com o Sphan e suas imagens de uma nação luso-brasileira, moderna e civilizada. PALAVRAS-CHAVE: Identidade; paranismo; patrimônio cultural; racismo; etnicidade.pt_BR
dc.description.abstractAbstract: Some traditions of social interpretation of brazilian southern emphasize the place of european immigration in racial and ethnic regional formation, generating a diacritic in relation to the black and mulatto nation. In Rio Grande do Sul, anthropology has already observed among the gaúchos an imagined difference between the part and the whole. In Santa Catarina, the scientific construction of the concept of the "emptiness" of people occupied by the immigrant. In Paraná also the occurrence of the mythology of a white territory, generate of the european colonization and whithout black presence occurs. David Carneiro (1904-1990), intellectual already called "the last of the paranistas" and a man accused for encouraging regionalism, was one of those responsible for the social prestige of this mythology, shared with Romário Martins and others actors of paranismo. However, he was also the first regional assistant of Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), an agency of the centralizer Estado Novo that, according to the specialized literature, hoped to form the image of the nation without regionalisms. Divided and non-essentialist, it combined a proud regionalism of the white paranaense with nacionalistic denunciations to those who tried to insinuate its lack of brazilianness. Gaúcho migrated to Paraná, it surprized me that the idea of diversity of the people and the nature of this south-brazilian state were so closely combined with images of the unity that, as David Carneiro always did, emphasized the connections between the national and paranaense pasts. Revolução Farroupilha, celebrated ícon of the ancestral singularity gaúcha, contrasted with Cerco da Lapa, symbol of the unity of Paraná and Brazil. His understanding of Paraná as an anciant and traditional part of the whole formed by Brazil, in fact, was the origin of the accusation of regionalism. It led David Carneiro to challenge the adversary Wilson Martins, a regionalist (anti)paranista who would symbolize, with the book Um Brasil diferente, the idea of the local "emptiness" of people occupied by the immigrants who promoted the distinction between the part and the whole. I suggest then that a segmentation of white Paraná thinkers, who divided prejudices against the race and the culture of black ethnic groups, but at the same time contend for the recognition of a regional social identity (european) of lineage or immigrant ou portuguese, helps to explain the nationalism of David Carneiro. The convicted regionalist, believing on the ongoing process of national "whitening", found in the legitimation of the cultural heritage of the "primitive colonies", previous to the "extra-iberian" immigration, a connection with the Sphan and its images of a luso-brazilian, modern and civilized nation. KEY WORDS: Identity; paranism; cultural heritage; racism; ethnicity.pt_BR
dc.format.extent289 f. : il. algumas color., mapas, rets.pt_BR
dc.format.mimetypeapplication/pdfpt_BR
dc.languagePortuguêspt_BR
dc.relationDisponível em formato digitalpt_BR
dc.subjectAntropologiapt_BR
dc.subjectAntropologia socialpt_BR
dc.subjectRegionalismopt_BR
dc.subjectPatrimônio culturalpt_BR
dc.subjectEtnicismopt_BR
dc.titleA parte do todo : David Carneiro, o Paranismo e o SPHAN - etnicidade, prestígio e disputas pela consagraçãopt_BR
dc.typeDissertaçãopt_BR


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