Polimorfismos do gene VSIG4 em pacientes com hanseníase e coinfecção com hepatite B de Curitiba-PR e Sinop-MT
Resumo
Resumo: A hanseníase é um problema de saúde pública no Brasil. O M. leprae, agente causador da doença, é um bacilo intracelular obrigatório de macrófagos e células de Schwann. O CRIg é um receptor de complemento mediador da fagocitose que é expresso em macrófagos e codificado pelo gene VSIG4 (V-set and Ig domain-containing protein 4), localizado em Xq12. Postula-se que o CRIg, possa exercer um papel na fagocitose do bacilo, similarmente ao observado com outros receptores de complemento. Além disso, pacientes com hanseníase parecem ser mais suscetíveis a coinfecção pelo HBV. Neste trabalho, investigamos uma possível associação entre a suscetibilidade à hanseníase e à coinfecção hanseníase - hepatite B e haplótipos formados por seis polimorfismos de VSIG4, os quais podem modular a expressão gênica e regulação do processamento do pré-mRNA: -1431 e -685 na região promotora; +6069 no intron 01; +6432 no exon 02 - responsável pela substituição de aminoácido R108W; +10234 e +10899 no intron 03. Foram genotipados através da PCR sequência específica, 191 pacientes com hanseníase da Região Sul (Curitiba-PR), pareados com 177 controles. Os três haplótipos mais frequentes *2B2 (TGACTA), *1 (TCGCCG) e *2B (TGGCCG) foram associados com hanseníase, especificamente os polimorfismos localizados nos introns 1 e 3: ATA, associado com proteção (OR=0,52 [IC95%=0,28-0,96], P=0,038), e GCG, com uma tendência a suscetibilidade à hanseníase per se (OR=2,52 [IC95%=0,95-6,62], P=0,061), independentemente do efeito protetor de outro gene, FCN2*AGA. Os haplótipos *2B2 (TGACTA) (OR=0,4 [IC95%=0,2-0,81], P=0,011) e *2B (TGGCCG) e/ou *1 (TCGCCG) (OR=14,2 [IC95%=3,70-54,41], P<0,001), foram associados com proteção e suscetibilidade à coinfecção hanseníase e HBV, respectivamente. As mesmas associações com hanseníase em Curitiba foram identificadas em pacientes (N=170) e controles (N=121) de Sinop-MT, apesar de diferenças genéticas entre as populações. Em Sinop, o haplótipo ATA, nos introns 1 e 3, foi associado com proteção à hanseníase per se (OR=0,47 [IC95% =0,26-0,85], P=0,012), e GCG, com uma tendência de associação a suscetibilidade (OR=1,6 [IC95%=0,98-2,61], P=0,060). Por meio da análise in silico, há indícios que as substituições T>C e A>G no intron 3 destruam um sítio de silenciamento de processamento do exon 3, causando a sua remoção e ausência do domínio IgC2 da proteína CRIg madura, isoforma VSIG4-003. Concluindo, os resultados levam-nos a sugerir que o gene VSIG4 influencia a suscetibilidade à hanseníase e coinfecção com hepatite B. Estudos complementares dos polimorfismos deste gene e seus produtos gênicos são necessários para validar o papel do gene VSIG4 e da proteína CRIg na infecção pelo M. leprae e coinfecção com o vírus da hepatite B. Palavras - chave: Hanseníase; receptor de complemento; VSIG4; CRIg; hepatite B. Abstract: Leprosy is a public health problem in Brazil. The ethiologic agent, M. leprae, is an obligate intracellular pathogen of macrophage and Schwann cells. CRIg, encoded by the VSIG4 gene (V-set and Ig domain-containing protein 4) on Xq12, is a complement receptor that mediates phagocytosis. CRIg is expressed in macrophages, target cells of M. leprae which suggests a role, similarly as observed for other complement receptors, in the bacillus phagocytosis. Moreover patients with leprosy seem to be more susceptible to HBV co-infection. In this work, we investigated possible associations between leprosy and the co-infection leprosy/hepatitis B and polymorphism of VSIG4 gene. Haplotypes formed by pre-mRNA processing regulators -1431 and -685 at the promoting region, +6432 responsible for amino acid substitution R108W in exon 02 - and +10234 and +10899 at intron 03 were evaluated. Using PCR-SSP, were genotyped 191 leprosy patients paired with 177 controls from Curitiba, Southern Brazil. The three most common haplotypes *2B2 (TGACTA), *1 (TCGCCG) and *2B (TGGCCG) were associated with leprosy, specifically polymorphisms at intron 1 and 3, ATA were associated with protection to leprosy per se (OR=0,52 [IC95%=0,28-0,96], P=0,038), and GCG, showed a tendency of association with susceptibility (OR=2,52 [IC95%=0,95-6,62], P=0,061), regardless the FCN2*AGA protector effect. VSIG4 haplotypes encompassing promoter, intron 1, exon 2 and intron 3 variations *2B2 (TGACTA) (OR=0,4 [IC95%=0,2-0,81], P=0,011) and *2B (TGGCCG)/*1 (TCGCCG) (OR=14,2 [IC95%=3,70-54,41], P<0,001), were related to protection and susceptibility to leprosy and HBV co-infection, respectively. Associations related to leprosy in Curitiba were also seen in leprosy patients (n=170) and controls (121) from Sinop, Central-East Brazil, In Sinop, the VSIG4 haplotype ATA at intron 1 and 3 was associated with protection to leprosy per se (OR=0,47 [IC95% =0,26-0,85], P=0,012) and GCG showed a tendency to susceptibility (OR=1,6 [IC95%=0,98-2,61], P=0,060). In silico analysis suggests that substitutions T>C and A>G at intron 3 broke an exonic splicing silencer site, causing exon 3 removal and absence of domain for IgC2 mature protein. In conclusion, results suggest that polymorphisms in VSIG4 gene modulate leprosy development and co-infection with HBV. Further studies enrolling other VSIG4 polymorphisms as well as it's genic products may help to elucidate the role of this gene and CRIg proteins in leprosy and HBV co-infection. Keywords: Leprosy; complement receptor; VSIG4; CRIg; hepatitis B.
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