Avaliação dos aspectos depressão, ansiedade, compulsão alimentar e qualidade de vida de mulheres obesas, submetidas a tratamento medicamentoso antiobesidade.
Resumo
Resumo: A obesidade é considerada um problema de saúde pública, cuja prevalência tem aumentado rapidamente em todo mundo. Sua etiologia é multifatorial, resultante das interações genética, ambiental, social e psicológica. Aspectos psicológicos e a qualidade de vida são importantes fatores na avaliação de eficácia e segurança do tratamento da obesidade. O objetivo deste trabalho foi avaliar depressão, ansiedade, compulsão alimentar e qualidade de vida de mulheres obesas, antes e após 6 meses de tratamento com medicamentos antiobesidade. O estudo foi observacional, prospectivo, envolvendo 180 mulheres com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 a 40kg/m2, com média de idade de 36,6 ± 7,2 anos, que foram randomizadas em 6 grupos: o GI (n=29) placebo, o GII (n=30) anfepramona 75mg/d, o GIII (n=30) sibutramina 15mg/d, o GIV (n=31) femproporex 25mg/d, o GV (n=31 ) fluoxetina 20mg/d e o GVI (n=29) mazindol 2mg/d. Os aspectos biopsicossociais e psicológicos foram avaliados, com uso de instrumentos psicométricos, antes e após 6 meses de tratamento. Depressão e ansiedade, foram avaliadas pelas Escalas de Depressão e de Ansiedade de Beck, Beck Depression Inventory (BDI) e Beck Anxiety Inventory (BAI). A presença e a intensidade da compulsão alimentar foram avaliadas por meio da Binge Eating Scale (BES) e a qualidade de vida, foi avaliada pelo questionário geral 36- Item Short Form Health Survey (SF-36) e o questionário específico Impact of Weight on Quality of Life-lite (IWQOL-LITE). No início do estudo, 38,9% das mulheres apresentavam depressão, 43,3% ansiedade e 38,3% episódios de compulsão alimentar. Cento e trinta e oito pacientes completaram 6 meses de tratamento. O percentual de desistências do grupo placebo (51,7%) foi o dobro do verificado nos outros grupos. Após 6 meses de tratamento, houve melhora significativa da depressão e da ansiedade, independentemente da quantidade de peso perdido (< 5% ou _ 5%). Os escores de compulsão alimentar periódica também reduziram, porém estes foram significativamente menores nas mulheres que perderam _ 5% do peso inicial. A qualidade de vida relacionada à saúde geral e aquela especificamente relacionada à obesidade, melhoraram após 6 meses de tratamento, principalmente nas obesas que perderam _ 5% do peso inicial. Conclui-se que, houve melhora dos aspectos psicológicos e da qualidade de vida, após 6 meses de tratamento clínico da obesidade. Grande parte dos resultados positivos foi dependente da perda de peso, mas aspectos como depressão e ansiedade melhoraram mesmo nas mulheres que não perderam peso. Os aspectos psicológicos devem ser considerados na estratégia terapêutica do tratamento da obesidade. Abstract: Obesity is considered a public health problem whose prevalence is increasing rapidly worldwide. Its etiology is multifactorial, resulting from genetic, environmental, social and psychological interactions. Psychological aspects and quality of life are important factors in the evaluation of efficacy and safety of obesity treatment. The objective of this study was to evaluate depression, anxiety, binge eating and quality of life of obese women, before and after 6 months of treatment with anti-obesity drugs. The study was observational, prospective involving 180 women with a BMI between 30 and 40kg/m2, mean age 36.6 ± 7,2 years, who were randomized into 6 groups: GI (n = 29) placebo, GII (n = 30) anfepramona 75mg/d, GIII (n = 30) sibutramine 15mg/d, GIV (n = 31) femproporex 25 mg/d, GV (n = 31) fluoxetine 20mg/d, GVI (n = 29) mazindol 2mg/d. The biopsychosocial and psychological aspects were evaluated with the use of psychometric instruments before and after 6 months of treatment. Depression and anxiety were evaluated by the Depression Scale and Beck Anxiety, Beck Depression Inventory (BDI) and Beck Anxiety Inventory (BAI).The presence and intensity of binge eating were assessed by the Scale Binge Eating (BES), quality of life was assessed by the general questionnaire 36-Item Short Form Health Survey (SF-36) and the specific questionnaire Impact of Weight on Quality of Life-Lite (IWQOL-LITE). At baseline, 38.9% of women had depression, 43.3% anxiety and 38.3% binge eating episodes. One hundred and thirty-eight patients completed 6 months of treatment. The percentage of dropouts in the placebo group (51.7%) was twice that in other groups. After 6 months of treatment, a significant improvement was observed in depression and in anxiety, regardless of the amount of weight loss (<5% or _ 5%). Binge eating scores also decreased however, they only were significantly lower in women who lost _ 5% of initial weight. Quality of life related to general health and that specifically related to obesity, improved after 6 months of treatment, especially in obese women who lost _ 5% of initial weight. It is concluded that there was an improvement of aspects psychological and of quality of life, 6 months after clinical treatment of obesity. Most positive results were dependent on weight loss, but aspects such as depression and anxiety improved even in women who did not lose weight. The psychological aspects should be considered in the therapeutic strategy of treating obesity.
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