Comparação do gasto metabólico de repouso obtido pelo método de calorimetria indireta e por equações preditivas em pacientes de diferentes graus de estresse metabólico
Resumo
Resumo: Um dos principais pontos para o êxito da terapia nutricional é a precisão na avaliação do gasto metabólico. A melhora e/ou manutenção do estado nutricional dependem dessa precisão, porque tanto a hipoalimentação como a hiperalimentação podem ocasionar efeitos deletérios na condição médica e no estado nutricional. Na prática clínica, o gasto metabólico pode ser avaliado por calorimetria indireta (CI), um método não invasivo que determina o gasto metabólico de repouso (GMR), e ser estimado por equações matemáticas. O objetivo do presente estudo foi comparar o GMR obtido por meio de equações preditivas mais utilizadas na prática clínica e aquele obtido por meio da CI em pacientes de diferentes graus de estresse metabólico. Foram avaliados em estudo prospectivo e transversal 126 indivíduos, divididos em três grupos: Grupo I: Saudáveis (n=40); Grupo II: Obesos (n=25); Grupo III: 61 doentes internados subdivididos conforme a classificação de baixo estresse metabólico em Grupo IIIa (n=41) e de alto estresse Grupo IIIb (n=20). O GMR foi determinado por meio da CI e calculado pelas fórmulas de Harris-Benedict (HB), Ireton-Jones (IJ) e Necessidades calóricas propostas pela American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN). O grupo I apresentou média de GMR obtida pela CI de 1491 ± 316 Kcal, com a equação de HB de 1525 ± 211 Kcal, por ASPEN de 1740 ± 390 Kcal, e com a equação de IJ de 1899 ± 287 Kcal, e apenas o GMR obtido pela equação de HB não apresentou diferença estatística significativa (p = 0,11) quando comparado ao obtido pela CI. O grupo II apresentou média de GMR obtida pela CI de 1660 ± 253 Kcal, pela equação de HB de 1714 ± 261 Kcal, por ASPEN de 1291 ± 151 Kcal e pela equação de IJ de 2096 ± 635 Kcal. Neste grupo, apenas a média obtida pela equação de HB não apresentou diferença estatística significante (p = 0,066) quando comparada à obtida pela CI. O grupo IIIa apresentou média de GMR obtida pela CI de 1422 ± 297 Kcal, pela equação de HB de 1365 ± 238 Kcal, segundo ASPEN de 1727 ± 454 Kcal, pela equação de IJ de 1550 ± 391 Kcal e pela equação de HB acrescida do fator injúria obteve-se a média de 1684 ± 328. No grupo IIIa, os valores médios de GMR obtidos pelas equações de HB, ASPEN, IJ e HB acrescida do fator injúria foram diferentes estatisticamente significativos (p=0,044, p<0,0001, p=0,0006, p<0,0001, respectivamente) quando comparados aos valores médios da CI. O grupo IIIb apresentou média de GMR obtida pela CI de 1472 ± 283 Kcal, pela equação de HB de 1259 ± 168 Kcal, segundo ASPEN de 1479 ± 286 Kcal, pela equação de IJ de 1389 ± 275 Kcal e pela equação de HB acrescida do fator injúria obteve-se a média de 1551 ± 227. No grupo IIIb, as equações de ASPEN, IJ e HB acrescida do fator injúria não apresentaram valores médios com diferença estatística quando comparados aos valores médios obtidos pela CI (p=0,87, p=0,136, p=0,14, respectivamente). A fórmula de HB foi mais precisa nos grupos sem estresse metabólico (Grupos I e II), enquanto IJ, ASPEN e HB acrescida do fator injúria foram mais consistentes no grupo de pacientes com alto estresse metabólico. Abstract: One of the principals points to the exit in nutritional therapy is the precision in the evaluation of the energy expenditure. The improvement and/or maintenance of the nutritional state depend of this precision, because either to over- or underfeeding can cause deleterious effects on the medical condition and the nutritional state. In the clinical practice, the energy expenditure can be evaluated by indirect calorimetry (IC), a non invasive method that determine the resting energy expenditure (REE), and to be estimated by prediction equations. The objective of this study was compare the REE estimated by the prediction equations more utilized in the clinical practice with the REE measured by IC in patients with different rates of metabolic stress. This prospective and transversal study evaluated 126 patients separated in three groups: Group I: healthy (n=40); Group II: obese (n=25); Group III: 61 patients subdivided according to the metabolic stress – IIIa: low metabolic stress (n=41) and IIIb: high metabolic stress (n=20). The REE was determined by the IC and calculated with the following equations: Harris-Benedict (HB), Ireton-Jones (IJ), and energy needs proposed by American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN). Group I, the mean REE by IC was 1491 ± 316 Kcal, obtained with HB was1525 ± 211 Kcal, with ASPEN was 1740 ± 390 Kcal and with IJ was 1899 ± 287 Kcal, only the REE calculated with the HB equation didn’t show any statistical difference when compared with IC (p = 0,11). Group II, the mean REE by IC was 1660 ± 253 Kcal, with HB was 1714 ± 261 Kcal, with ASPEN was 1291 ± 151 Kcal and with IJ was 2096 ± 635 Kcal, only the REE calculated with the HB equation didn’t show any statistical difference when compared with IC (p = 0,066). Group IIIa, the mean REE by IC was 1422 ± 297 Kcal, with HB was 1365 ± 238 Kcal, with ASPEN was 1727 ± 454 Kcal, with IJ was1550 ± 391 Kcal and with HB multiplied by a stress factor was 1684 ± 328. Group IIIa the REE calculated with the HB, ASPEN, IJ equations and HB multiplied by a stress factor show statistical difference when compared with the REE by IC (p=0,044, p<0,0001, p=0,0006, p<0,0001, respective). Group IIIb, the mean REE by IC was 1472 ± 283 Kcal, with HB was 1259 ± 168 Kcal, with ASPEN was de 1479 ± 286 Kcal, with IJ was 1389 ± 275 Kcal and with HB equation multiplied by a stress factor was 1551 ± 227. Group IIIb the ASPEN, IJ and HB multiplied by a stress factor, didn’t show any statistical difference when compared with IC (p=0,87, p=0,136, p=0,14, respective). The HB equation was more precise in groups without metabolic stress (I and II), while IJ, ASPEN and HB multiplied by a stress factor were more consistent in the patient group with high metabolic stress.
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