O custo da perda de emprego : desigualdades e trajetórias profissionais no mercado de trabalho formal
Resumo
Resumo: Esta tese analisa os efeitos da perda involuntária de emprego sobre as trajetórias salariais e ocupacionais de trabalhadores do mercado formal brasileiro. O objetivo central é investigar se a perda de emprego produz penalidades persistentes nos rendimentos, em que medida essas perdas variam conforme o contexto macroeconômico e como se distribuem entre diferentes perfis de trabalhadores. A pesquisa dialoga com a literatura sobre mobilidade intrageracional, trajetórias ocupacionais e efeito cicatriz, tratando a perda de emprego como evento capaz de interromper processos de progressão profissional e de aprofundar desigualdades ao longo da vida laboral. A análise empírica utiliza microdados identificados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), entre 2003 e 2022, organizados em 13 coortes anuais de trabalhadores acompanhados em uma janela de evento de dois anos antes a cinco anos depois da demissão. A estratégia metodológica combina modelos de estudo de evento com efeitos fixos em dois sentidos, reponderação por entropy balancing e erros-padrão clusterizados por indivíduo. Os resultados indicam que a perda de emprego produz penalidades salariais persistentes: mesmo após cinco anos, os trabalhadores demitidos não recuperam integralmente o nível de remuneração anterior ao desligamento. Essas perdas são mais severas quando a demissão ocorre em contextos recessivos, embora também persistam em períodos de não-recessão. A trajetória posterior ao evento também importa: demissões adicionais e mudança ocupacional no retorno ao mercado formal contribuem para aprofundar as perdas. As penalidades variam ainda conforme escolaridade, experiência, tempo de vínculo anterior e posição na distribuição de rendimentos, sendo especialmente intensas entre trabalhadores situados nos quintis superiores de renda. A análise do International Socio-Economic Index of Occupational Status (ISEI) indica também uma trajetória ocupacional ligeiramente descendente após a demissão, embora de magnitude média modesta. Conclui-se que a perda involuntária de emprego no Brasil produz cicatrizes salariais duradouras, heterogêneas e condicionadas pelo ciclo econômico, reforçando a importância das instituições de proteção ao trabalho para mitigar trajetórias de rebaixamento e instabilidade Abstract: This dissertation analyzes the effects of involuntary job loss on the wage and occupational trajectories of workers in the Brazilian formal labor market. Its main objective is to investigate whether job loss produces persistent earnings penalties, how these losses vary according to the macroeconomic context, and how they are distributed across different worker profiles. The research engages with the literature on intragenerational mobility, occupational trajectories, and scarring effects, treating job loss as an event capable of interrupting career progression and deepening inequalities over the working life course. The empirical analysis uses identified microdata from the Annual Social Information Report (RAIS) between 2003 and 2022, organized into 13 annual cohorts of workers observed within an event window spanning two years before and five years after dismissal. The methodological strategy combines event-study models with two-way fixed effects, entropy balancing reweighting, and individual-clustered standard errors. The results indicate that job loss produces persistent wage penalties: even after five years, dismissed workers do not fully recover their pre-displacement earnings. These losses are more severe when dismissal occurs in recessionary contexts, although they also persist in non-recessionary periods. Post-displacement trajectories also matter: additional dismissals and occupational change upon return to formal employment contribute to deepening wage losses. The penalties also vary according to education, experience, previous job tenure, and position in the earnings distribution, being especially intense among workers located in the upper income quintiles. The analysis of the International Socio-Economic Index of Occupational Status (ISEI) also indicates a slightly downward occupational trajectory after dismissal, although the average magnitude of this decline is modest. The dissertation concludes that involuntary job loss in Brazil produces long-lasting, heterogeneous wage scars conditioned by the economic cycle, reinforcing the importance of labor protection institutions in mitigating downward and unstable trajectories
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