Escutar os cursos d' água, criar narrativas mais-que-humanas : (des) colonizações das águas do Rio Cubatão do Sul (SC)
Resumo
Resumo: Essa dissertação teve como objetivo investigar as relações entre colonialidade, relações mais- que-humanas e as narrativas históricas, tomando como ponto de partida as águas do Rio Cubatão do Sul, na região de Santo Amaro da Imperatriz, em Santa Catarina. O trabalho adota o movimento das águas como motor de narrativas, organizando a sua estrutura como operador analítico e narrativo a partir de quatro elementos constitutivos de um rio: nascentes, afluentes, leito e margens, e confluências. A pesquisa se constrói a partir de uma escuta-leitura que dialoga tanto com críticas internas ao pensamento ocidental quanto com epistemologias que nunca tiveram como premissa o pensamento moderno e colonial. Autoras e autores indígenas, afro- diaspóricos e críticos do colonialismo/colonialidade orientam esse percurso, permitindo evidenciar os limites dos arquivos históricos tradicionais e de suas práticas de exclusão de vozes, línguas, cosmovisões e epistemologias. Como fontes, mobiliza bibliografias locais, arquivos históricos, jornais dos séculos XIX e XX, materiais digitais contemporâneos e registros fotográficos produzidos em campo, sobretudo em torno das águas termais e de suas rememorações públicas. Como resultado, a pesquisa aponta para a necessidade de práticas historiográficas com posturas críticas à invisibilização de outras formas de existências e de relações de humanos e não humanos que foram historicamente subjugadas por uma lógica colonial, extrativista e modernizante, enquanto também busca desnaturalizar as narrativas oficiais de desenvolvimento e progresso que silenciaram genocídios, expropriações e destruições socioambientais, tomando as águas como aliadas na exposição dessas histórias Abstract: This dissertation aimed to investigate the relationships between coloniality, more-than-human relations, and historical narratives, taking as its starting point the waters of the Cubatão do Sul River, in the region of Santo Amaro da Imperatriz, in Santa Catarina. The work adopts the river as a driver of narratives, organizing its structure as an analytical and narrative operator based on four constitutive elements of a river: springs, tributaries, riverbed and banks, and confluences. The research is built upon a model of listening-reading that engages both with internal critiques of Western thought and with epistemologies that have never been premised on modern and colonial thinking. Indigenous, Afro-diasporic, and anti-colonial/colonialism authors guide this journey, making it possible to highlight the limitations of traditional historical archives and their practices of excluding voices, languages, worldviews, and epistemologies. As sources, it draws on local bibliographies, historical archives, newspapers from the 19th and 20th centuries, contemporary digital materials, and photographic records produced in the field, especially around the thermal waters and their public recollections. As a result, the research points to the need for historiographical practices that critically address the invisibilization of other forms of existence and relationships between humans and non-humans that have historically been subjugated by a colonial, extractivist, and modernizing logic, while also seeking to denaturalize official narratives of development and progress that have silenced genocides, expropriations, and socio-environmental destruction, taking the waters as allies in exposing these histories
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