Ciência agroecológica, sementes crioulas e famílias agricultoras : caminho possível para a sustentabilidade ambiental
Resumo
Resumo: Com o novo modelo agroindustrial de produção impulsionado nos anos 1970, chamado de Revolução Verde, iniciou-se o incentivo ao plantio das sementes melhoradas, ignorando-se as sementes crioulas, que eram chamadas de sementes de paiol e de baixa produção. As famílias começaram a deixar as suas tradições de plantios consorciados e passaram a utilizar agroquímicos, tornando-se reféns dos pacotes tecnológicos e dos financiamentos das safras oferecidos pelos bancos da época. Como as sementes crioulas são um bem comum das famílias guardiãs, esta pesquisa apresenta as seguintes problemáticas: Quais os fatores que vêm ocasionando a perda das variedades crioulas conservadas e multiplicadas pelas famílias agricultoras nos últimos anos? Há falta de políticas públicas para a formação permanente e para a valorização e reconhecimento das famílias que multiplicam as sementes crioulas? A valorização dos conhecimentos tradicionais das famílias guardiãs de sementes crioulas pode evitar a erosão genética? As mulheres agricultoras têm um papel na preservação das sementes crioulas? Esses questionamentos nos levam ao objetivo da pesquisa: compreender a importância ambiental das sementes crioulas conservadas e multiplicadas por famílias agricultoras com base em saberes locais. Para isso, foi realizada em um primeiro momento uma exploração da temática, resultando na leitura de obras e artigos de autores como: Money, Carson, Ehlers, Altieri, Siliprandi, Freire e outros, que ajudaram a compor o marco teórico da pesquisa. No caminho metodológico foi utilizada a pesquisa participante, proposta por Carlos Rodrigues Brandão, a qual foi construída com as famílias agricultoras. Com isso, buscou-se vivenciar e compartilhar com elas o cotidiano do cuidado com as sementes crioulas. Os resultados da pesquisa comprovam que as relações entre alimentação, meio ambiente e saúde evidenciam que a diversidade alimentar é um dos pilares para a qualidade de vida. As variedades crioulas assumem papel fundamental, pois carregam consigo não apenas riqueza genética, mas também valores culturais, educativos e autonomia. As políticas públicas se mostraram ineficientes para atender à diversidade das famílias guardiãs de sementes crioulas. Além disso, a falta de acesso a políticas públicas dificulta o reconhecimento e fortalecimento do papel feminino na agrobiodiversidade, deixando de garantir apoio e incentivo à sua atuação. Outro achado da pesquisa revela o protagonismo das mulheres na conservação das sementes crioulas, pois elas atuam como principais guardiãs do conhecimento tradicional e da diversidade alimentar. Como resultado da escrita deste trabalho, foram elaborados boletins e cartilhas que sistematizam e devolvem, de maneira acessível e significativa, as informações compartilhadas pelas famílias guardiãs de sementes crioulas. Esses materiais possuem a função de valorização do conhecimento local, fortalecimento da memória coletiva e visibilidade de práticas agroecológicas desenvolvidas como forma de valorização e respeito mútuo Abstract: With the new agroindustrial production model promoted in the 1970s, known as the Green Revolution, incentives were introduced for planting improved seeds, while traditional heirloom seeds were ignored and labeled as "barn seeds" with low productivity. Farming families began to abandon their traditions of intercropping and started using agrochemicals, becoming dependent on technological packages and crop financing offered by banks at the time. As heirloom seeds are a common good of guardian families, this research raises the following questions: What factors have contributed to the loss of heirloom varieties conserved and multiplied by farming families in recent years? Is there a lack of public policies aimed at continuous training, appreciation, and recognition of families who multiply heirloom seeds? Can the valorization of traditional knowledge held by heirloom seed guardian families prevent genetic erosion? Do women farmers play a role in the preservation of heirloom seeds? These questions lead to the objective of the research: to understand the environmental importance of heirloom seeds conserved and multiplied by farming families, based on local knowledge. Initially, an exploration of the theme was carried out through the reading of books and articles by authors such as Money, Carson, Ehlers, Altieri, Siliprandi, Freire, among others, which helped compose the theoretical framework of the study. The methodological approach is based on participatory research, proposed by Carlos Rodrigues Brandão, developed together with farming families, seeking to experience and share their daily practices of caring for heirloom seeds. The research results confirm that the relationship between food, environment, and health highlights dietary diversity as one of the pillars of quality of life. Heirloom varieties play a fundamental role, as they carry not only genetic wealth but also cultural, educational values and autonomy. Public policies proved to be ineffective in addressing the diversity of heirloom seed guardian families. Another important finding reveals the protagonism of women in the conservation of heirloom seeds, acting as the main guardians of traditional knowledge and food diversity. There is a lack of access to public policies that recognize and strengthen the role of women in agrobiodiversity, ensuring support and incentives for their work. Along this path, booklets and bulletins were developed to systematize and return, in an accessible and meaningful way, the information shared by heirloom seed guardian families. These materials aim to value local knowledge, strengthen collective memory, and give visibility to agroecological practices developed as forms of appreciation and mutual respect
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