Leptospirose : risco ocupacional
Resumo
Resumo: A leptospirose configura-se como um problema de saúde pública de grande magnitude, impondo elevado custo de tratamento, com alta morbidade e letalidade. No Brasil, essa doença é considerada endêmica, sendo que no ambiente urbano a ratazana atua como uma potencial fonte de infecção para humanos e animais. A leptospira tem a facilidade de dispersão no ambiente, principalmente na água e no solo, representando um risco iminente de contaminação através do contato com água contaminada. Considerando o possível efeito grave da leptospirose na saúde dos trabalhadores, o Ministério da Saúde reconhece a doença como ocupacional. Este estudo teve como objetivo identificar os grupos ocupacionais com maior risco de leptospirose no Brasil, entre os casos suspeitos notificados ao sistema nacional de vigilância de 2007 a 2022. Foram analisados dados de todos os casos suspeitos de leptospirose notificados ao sistema nacional de vigilância durante o período de estudo. Os dados incluíram informações sobre faixa etária, sexo, escolaridade, raça, ocupação, situações de risco, área e local de possível infecção, e evolução do caso. Os casos confirmados de leptospirose foram aproximadamente 55 mil, dos quais a maioria era do sexo masculino. A análise identificou alguns grupos ocupacionais com maior risco de leptospirose, sendo os principais os trabalhadores agropecuários (área rural), coletores de lixo e recicladores (em centros urbanos), e pedreiros (na construção civil). Os resultados sugerem que entre os casos confirmados houve um risco aumentado entre profissionais de grupos com baixos níveis de escolaridade e idade entre 25 a 49 anos. Esses resultados fornecem informações importantes para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle da leptospirose no Brasil, pois correlacionaram os fatores de risco nas ocupações mais frequentes. As medidas de prevenção devem ser direcionadas aos grupos ocupacionais com maior risco, incluindo educação sobre os riscos da leptospirose, medidas de proteção individual e controle de roedores. Abstract: Leptospirosis poses a significant public health problem, imposing a high cost of treatment, with high morbidity and mortality. In Brazil, this disease is considered endemic, with rats acting as a potential source of infection for humans and animals in urban areas. Leptospira has the ability to spread in the environment, mainly in water and soil, representing an imminent risk of contamination through contact with contaminated water. Considering the potentially serious effect of leptospirosis on workers' health, the Ministry of Health recognizes the disease as occupational. This study aimed to identify the occupational groups at higher risk of leptospirosis in Brazil, among suspected cases reported to the national surveillance system from 2007 to 2022. Data from all suspected cases of leptospirosis reported to the national surveillance system during the study period were analyzed. The data included information on age, sex, education, race, occupation, risk situations, area and location of possible infection, and case outcome. The confirmed cases of leptospirosis were approximately 55 thousand, of which the majority was male. The analysis identified some occupational groups at higher risk of leptospirosis, with the main ones being agricultural workers (rural area), garbage collectors and recyclers (in urban centers), and construction workers (in the construction industry). The results suggest that among the confirmed cases, there was an increased risk among professionals in groups with low levels of education and aged between 25 and 49 years. These results provide important information for the development of prevention and control strategies for leptospirosis in Brazil, as they correlated risk factors in the most frequent occupations. Prevention measures should be targeted at occupational groups at higher risk, including education on the risks of leptospirosis, individual protection measures, and rodent control.
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