Segurança viária no entorno escolar : avaliação das condições de mobilidade e comportamentos de risco em Moçambique
Resumo
Resumo: Os sinistros de trânsito constituem um grave problema de saúde pública em Moçambique, afetando de forma desproporcional crianças e adolescentes, representando a primeira causa externa de mortalidade de crianças entre 5 a 14 anos. Esta tese teve como objetivo geral analisar as condições de mobilidade e de segurança viária no entorno das escolas em Moçambique, considerando três dimensões complementares: a infraestrutura viária, os comportamentos de adultos responsáveis pela proteção de crianças pedestres e a percepção de risco de motoristas. Para tanto, foram conduzidos três estudos empíricos, com abordagem quantitativa, combinando métodos observacionais, análises estatísticas e instrumentos sobre percepção de risco, em contextos urbanos, periurbanos e rurais. As análises estatísticas incluíram procedimentos descritivos, teste t para amostras independentes, ANOVA unifatorial e correlações de Pearson, permitindo identificar associações entre localização geográfica, padrões de exposição ao trânsito e percepção de risco. O Estudo 1 avaliou a infraestrutura de segurança no entorno de 60 escolas, utilizando o instrumento PICCE-TRAN, e identificou ausência generalizada de elementos básicos de proteção, como faixas de pedestres e semáforos, sobretudo em áreas periurbanas e rurais, evidenciando desigualdades territoriais associadas ao risco de sinistros. O Estudo 2 investigou comportamentos de risco e práticas protetivas no deslocamento casa–escola por meio da observação naturalística de 714 crianças entre 5 e 11 anos, revelando baixa supervisão adulta e reduzida adoção de comportamentos simples de proteção, como não deixar a criança sozinha na rua, colocar a criança para caminhar no lado interno da calçada ou segurar a criança pelo pulso, com maior exposição ao risco em áreas rurais. O Estudo 3 examinou a percepção de risco de 400 motoristas habilitados, por meio de tarefas visuais e escalas sobre percepção, demonstrando que, embora os participantes atribuam elevada importância à segurança viária em avaliações abstratas, apresentam dificuldade em reconhecer infraestrutura formal em cenas reais do entorno escolar, concentrando-se sobretudo em obstáculos imediatos e outros usuários da via. De forma integrada, os resultados levaram à conclusão de que a insegurança viária no entorno das escolas moçambicanas decorre da combinação entre infraestrutura deficiente, práticas comportamentais pouco protetivas e limitações perceptivas no reconhecimento de elementos críticos de segurança Abstract: Road traffic crashes constitute a serious public health problem in Mozambique, disproportionately affecting children and adolescents, and represent the leading external cause of mortality among children aged 5 to 14 years. This thesis had the general objective of analyzing mobility and road safety conditions in the surroundings of schools in Mozambique, considering three complementary dimensions: road infrastructure, the behaviors of adults responsible for protecting child pedestrians, and drivers’ risk perception. To this end, three empirical studies were conducted using a quantitative approach, combining observational methods, statistical analyses, and risk perception instruments, in urban, peri-urban, and rural contexts. Statistical analyses included descriptive procedures, independent-samples t-tests, one-way ANOVA, and Pearson correlations, allowing the identification of associations between geographic location, patterns of traffic exposure, and risk perception. Study 1 assessed safety infrastructure in the surroundings of 60 schools using the PICCE-TRAN instrument and identified a generalized absence of basic protective elements, such as pedestrian crossings and traffic lights, especially in peri-urban and rural areas, highlighting territorial inequalities associated with crash risk. Study 2 investigated risk behaviors and protective practices in the home–school commute through naturalistic observation of 714 children aged 5 to 11 years, revealing low levels of adult supervision and limited adoption of simple protective behaviors, such as not leaving the child alone on the street, positioning the child on the inner side of the sidewalk, or holding the child by the wrist, with greater exposure to risk in rural areas. Study 3 examined the risk perception of 400 licensed drivers through visual tasks and perception scales, demonstrating that although participants assign high importance to road safety in abstract evaluations, they have difficulty recognizing formal infrastructure in real scenes of school surroundings, focusing mainly on immediate obstacles and other road users. Taken together, the results led to the conclusion that road insecurity in the surroundings of Mozambican schools stems from the combination of deficient infrastructure, insufficiently protective behavioral practices, and perceptual limitations in recognizing critical safety elements
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