Avaliação neurológica de recém-nascidos pré-termo com assimetria craniana posicional
Resumo
Resumo: Introdução: recém-nascidos pré-termo nascem com seus sistemas imaturos, incluindo o sistema musculoesquelético, e completam o seu desenvolvimento em um ambiente com experiências sensoriais diferentes do ambiente intrauterino. A privação desse ambiente ideal para o desenvolvimento de seus músculos e articulações associada à exposição à ação da gravidade, mal posicionamento e tempo prolongado na superfície plana da incubadora, tornam esses neonatos suscetíveis a encurtamentos e deformidades, como a assimetria craniana posicional, que além de um problema estético, apresenta associação com distúrbios posturais, auditivos, visuais e do neurodesenvolvimento. Objetivo: comparar a avaliação neurológica de recém-nascidos pré-termo com e sem assimetria craniana posicional. Método: trata-se de um estudo observacional, analítico, transversal, comparado com coleta prospectiva de dados, de julho a dezembro de 2023. Foram avaliados neonatos nascidos com idade gestacional de 28 a 36 semanas e 6 dias, em dois momentos: na alta da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e na idade equivalente a termo. A avaliação da simetria craniana foi realizada por meio de um craniômetro e as medidas foram utilizadas para calcular o Cranial Index e o Cranial Vault Assymmetry Index, classificando as deformidades encontradas em plagiocefalia, dolicocefalia e braquicefalia, e seus respectivos graus leve, moderado ou grave. A avaliação neurológica foi realizada pela Hammersmith Neonatal Neurological Examination (HNNE). Resultados: 50 recém-nascidos pré termo foram avaliados na alta hospitalar e 21 na idade equivalente a termo. A prevalência de assimetria craniana posicional na alta da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal foi de 64% (n=32), e a dolicocefalia foi o tipo de assimetria mais prevalente. Na avaliação na idade equivalente a termo, 15 (71%) apresentaram assimetria craniana posicional, e a plagiocefalia juntamente com a plagiocefalia combinada com dolicocefalia foram mais prevalentes. Todos os classificados com plagiocefalia tinham deformidade à direita. Na avaliação neurológica, os dois grupos apresentaram pontuações ótimas e não tiveram diferença significativa nas pontuações de otimização da HNNE entre eles, nos dois momentos de avaliação. Porém, ambos os grupos apresentaram pontuações brutas abaixo do esperado nos itens postura, tração de braço, suspensão ventral, todos os itens da subcategoria movimento e orientação visual no momento da alta. Conclusão: A avaliação neurológica não mostrou diferença no neurodesenvolvimento dos recém-nascidos pré-termo com e sem assimetria craniana posicional, sugerindo que a assimetria craniana posicional parece não ter impacto precoce no desenvolvimento neurológico de neonatos prematuros avaliados na alta da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal Abstract: Objective: Preterm newborns are born with immature systems, including the musculoskeletal system, and complete their development early, in an environment with sensory experiences different from the intrauterine environment. The deprivation of this ideal environment for the development of their muscles and joints, combined with exposure to gravity, poor positioning, and prolonged time on the flat surface of the incubator, makes these neonates susceptible to shortening and deformities, such as positional cranial asymmetry. Besides being an aesthetic problem, positional cranial asymmetry is associated with postural, auditory, visual, and neurodevelopmental disorders.c Objective: To compare the neurological assessment of preterm newborns with and without positional cranial asymmetry. Methods: This is an observational, analytical, cross-sectional study with prospective data collection, conducted from July to December 2023. Neonates born with a gestational age of 28 to 36 weeks and 6 days were assessed at two time points: at discharge from the Neonatal Intensive Care Unit (NICU) and at term-equivalent age. Cranial symmetry assessment was performed using a craniometer, and the measurements were used to calculate the Cranial Index and the Cranial Vault Asymmetry Index, classifying the deformities found as plagiocephaly, dolichocephaly, and brachycephaly, with respective degrees of mild, moderate, or severe. The neurological evaluation was conducted using the Hammersmith Neonatal Neurological Examination (HNNE). Results: Fifty preterm newborns were assessed at NICU discharge, and 21 at term-equivalent age. The prevalence of positional cranial asymmetry at NICU discharge was 64% (n=32), with dolichocephaly being the most prevalent type of asymmetry. At term-equivalent age, 15 (71%) had positional cranial asymmetry, with plagiocephaly and combined plagiocephaly with dolichocephaly being more prevalent. All infants classified with plagiocephaly had a right-sided deformity. In the neurological evaluation, both groups showed optimal scores and did not have a significant difference in the HNNE optimization scores at both assessment time points. However, both groups showed raw scores below the expected range for posture, arm traction, ventral suspension, all items of the movement subcategory, and visual orientation at the time of NICU discharge. Conclusion: The neurological assessment did not show a difference in the development of preterm newborns with and without positional cranial asymmetry, suggesting that positional cranial asymmetry seems to have no early impact on the neurological development of premature neonates assessed at discharge from the Neonatal Intensive Care Unit
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