"Retomada da imagem" : agência e tensionamentos da arte indígena contemporânea sobre acervo fotográfico do Museu Paranaense (2021-2024)
Resumo
Resumo: Esta pesquisa investiga o projeto "Retomada da Imagem: investigações indígenas a partir do acervo fotográfico do MUPA (2021–2024)", realizado no Museu Paranaense, como estudo de caso para refletir sobre as possibilidades e os limites da atuação da Arte Indígena Contemporânea (AIC) no tensionamento de acervos coloniais. O problema central consiste em compreender como artistas indígenas contemporâneos, ao atuarem como agentes críticos dentro de museus, produzem deslocamentos nos regimes de representação e visibilidade institucionalizados. O recorte temporal se justifica por abranger todas as fases do projeto — residência artística, exposição e publicação — e seus desdobramentos institucionais. O contexto é o de uma instituição pública fundada em 1873, no Sul Global, que passa por um processo recente de revisão crítica de sua história e de suas práticas. A pesquisa mobiliza aportes teóricos da história do tempo presente, dos estudos da imagem, da crítica institucional e dos estudos decoloniais, com base em autores como Georges Didi-Huberman, Walter Benjamin, Saidiya Hartman, Susan Sontag, Marie-José Mondzain, Françoise Vergès e Jaider Esbell. As estratégias metodológicas adotadas incluem análise crítica de fontes diversas (catálogos, entrevistas, registros audiovisuais, materiais institucionais e redes sociais), além do diálogo com os artistas Gustavo Caboco e Denilson Baniwa. A partir da análise do processo criativo e curatorial da Retomada da Imagem, compreende-se como a AIC opera formas de autorrepresentação e fabulação política que questionam a neutralidade dos arquivos museológicos e propõem outras formas de imaginar a memória e a história Abstract: This research investigates the project Retomada da Imagem: Indigenous investigations based on the photographic collection of the MUPA (2021–2024), carried out at the Museu Paranaense, as a case study to reflect on the possibilities and limits of Contemporary Indigenous Art (CIA) in challenging colonial archives. The central problem is to understand how Indigenous contemporary artists, when acting as critical agents within museums, produce shifts in institutionalized regimes of representation and visibility. The chosen timeframe is justified by its coverage of all phases of the project — artistic residency, exhibition, and publication — as well as its institutional ramifications. The research is situated in the context of a public institution founded in 1873 in the Global South, currently undergoing a critical revision of its history and practices. The study draws on theoretical contributions from contemporary history, image studies, institutional critique, and decolonial thought, with reference to authors such as Georges Didi-Huberman, Walter Benjamin, Saidiya Hartman, Susan Sontag, Marie-José Mondzain, Françoise Vergès, and Jaider Esbell. The methodological strategies adopted include critical analysis of diverse sources (catalogs, interviews, audiovisual records, institutional materials, and social media), along with direct dialogue with the artists Gustavo Caboco and Denilson Baniwa. Through the analysis of the creative and curatorial processes of Retomada da Imagem, it becomes clear how CIA mobilizes forms of self-representation and political fabulation that question the neutrality of museological archives and propose alternative ways of imagining memory and history
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