Escarro induzido em pré- escolares com asma : avanços na padronização e aprimoramento técnico
Resumo
Resumo: Introdução: A asma é a doença respiratória crônica mais prevalente entre crianças e adolescentes no Brasil e compreender a inflamação brônquica em crianças asmáticas é essencial para o direcionamento terapêutico. O escarro induzido (EI) é um método com alto potencial para investigar a inflamação das vias aéreas inferiores. No entanto, sua aplicação em crianças menores de seis anos, é limitada e sem protocolos validados para a faixa etária. A fisioterapia respiratória assume papel central para viabilizar a obtenção de amostras adequadas e representativas das vias aéreas inferiores de crianças pequenas. A expertise do fisioterapeuta no manejo da via aérea pediátrica, é determinante para o sucesso do escarro induzido e contribui de forma decisiva para a qualidade das amostras coletadas, para a segurança do processo e para a expansão do uso do EI na faixa etária pré-escolar. Objetivo: Desenvolver avanços na padronização e aprimorar a técnica do EI em crianças asmáticas menores de seis anos de idade, mensurando sua taxa de sucesso, segurança e tolerabilidade. Métodos: Ensaio clínico prospectivo, randomizado, intervencionista, com grupo controle, com 40 crianças de ambos os sexos, entre 3 anos e 5 anos e 11 meses, com diagnóstico de asma, acompanhadas no Ambulatório de Alergia, Imunologia e Pneumologia Pediátrica do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, no período de janeiro /2024 a maio/2025. Foram compostos quatro grupos randomizados. O grupo controle foi submetido exclusivamente à técnica padrão (TP) do EI, enquanto os outros três receberam, cada um, uma intervenção fisioterapêutica distinta associada à TP. Foram avaliadas: a duração do procedimento de EI e a qualidade das amostras obtidas, com o objetivo de identificar qual combinação de intervenção fisioterapêutica e TP, proporcionou os melhores resultados em termos de celularidade, volume e viabilidade para análise citológica. Resultados: Os grupos apresentaram homogeneidade quanto à idade, peso e gravidade clínica, garantindo comparabilidade entre eles. No grupo em que técnicas fisioterapêuticas foram associadas à TP, observou-se tempo de indução significativamente menor (p < 0,001). Neste mesmo grupo observou-se maior celularidade por miligrama de escarro (p = 0,027), bem como maior viabilidade celular (p<0,001). Em relação ao sucesso da técnica, observou-se que 100% dos participantes dos grupos submetidos à TP associada a manobras fisioterapêuticas obtiveram sucesso, proporção significativamente superior à do grupo que utilizou a TP isolada (controle), cuja taxa de sucesso foi de 30% (p = 0,006) nas comparações entre o grupo controle e os demais. Conclusão: A técnica do EI, quando associada a manobras fisioterapêuticas adequadas, é viável, segura e capaz de produzir amostras de melhor qualidade quando comparada à TP isolada, em crianças asmáticas, menores de seis anos. O estudo aponta um avanço na IE em crianças pré-escolares, ampliando o monitoramento da inflamação brônquica nessa população Abstract: Introduction: Asthma is the most prevalent chronic respiratory disease among children and adolescents in Brazil. Understanding bronchial inflammation in pediatric asthma is essential for appropriate therapeutic decision-making and long-term clinical management. Induced sputum (IS) is a valuable method for assessing lower airway inflammation; however, its use in children under six years of age remains limited, largely due to the absence of standardized and validated protocols for this age group. In this context, respiratory physiotherapy plays a central role in enabling the collection of adequate and representative lower airway samples in young children. The physiotherapist’s expertise in pediatric airway management is crucial for the success of the IS procedure, directly contributing to sample quality, procedural safety, and the expansion of IS use in the preschool population.Objective: To advance the standardization and refinement of the IS technique in asthmatic children under six years of age by assessing its success rate, safety, and tolerability.Methods: This was a prospective, longitudinal, interventional, randomized, controlled study involving 40 children of both sexes, aged 3 years to 5 years and 11 months, diagnosed with asthma and followed at the Pediatric Allergy, Immunology, and Pulmonology Clinic of the Hospital de Clínicas, Federal University of Paraná, from January 2024 to May 2025. Participants were allocated into four groups. The control group underwent only the standard IS technique, while the other three groups received distinct physiotherapeutic interventions in addition to the standard procedure. The duration of the IS procedure and the quality of the samples obtained were evaluated to identify which combination of physiotherapeutic intervention and standard technique yielded the best results in terms of cell count, volume, and cell viability for cytological analysis.Results: The groups were homogeneous regarding age, weight, and clinical severity, ensuring comparability. Children who received physiotherapeutic techniques in combination with the standard procedure showed a significantly shorter induction time (p < 0.001). These groups also exhibited higher cell counts per milligram of sputum (p = 0.027) and greater cell viability (p < 0.001). Regarding procedural success, 100% of participants in the physiotherapy-associated groups obtained adequate samples, a proportion significantly higher than that of the control group, whose success rate was 30% (p = 0.006).Conclusion: The IS technique, when combined with appropriate physiotherapeutic interventions, is feasible, safe, and capable of producing higher quality samples compared with the standard technique alone in asthmatic children under six years of age. This study represents an advance in the application of IS in preschoolers, expanding the possibilities for monitoring bronchial inflammation in this population
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