Análise do assédio e violência sofrida por mulheres praticantes de futsal
Resumo
Resumo: A violência contra a mulher manifesta-se de diversas formas, como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, em espaços públicos e privados. No esporte, especialmente no futsal feminino, que enfrenta barreiras históricas e estereótipos de gênero, ainda persiste a marginalização das mulheres, apesar do domínio brasileiro no cenário internacional. Além disso, o esporte, especialmente o de contato, tem uma relação com a violência, refletindo comportamentos agressivos e a hegemonia masculina, com abusos como assédio e violência sexual. A presente pesquisa teve como objetivo analisar a percepção das mulheres sobre os fatores ambientais e institucionais no futsal que podem contribuir para a ocorrência de violência ou assédio durante a prática esportiva. Estudo observacional, analítico e transversal, realizado em 2024, com mulheres praticantes de futsal, amadoras e/ou profissionais, com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em todo o território brasileiro. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online, divulgado em redes sociais entre março e junho de 2024, com os seguintes instrumentos: Questionário Semiestruturado para Mulheres praticantes de Futsal e o Composite Abuse Scale. Foram incluídas na pesquisa jogadoras de futsal amadoras, recreacionais ou profissionais acima de 18 anos. Participaram do estudo 141 mulheres. Os resultados foram apresentados em formato de 2 estudos: No primeiro, intitulado "O Futsal é para todas: ocorrência de assédio sofrido por mulheres no esporte", que investiga a frequência e os impactos do assédio dentro do ambiente esportivo, verificou-se que as barreiras percebidas por mulheres para prática do futsal foram: assédio sexual (23,4%, n=33) e desigualdade no esporte (93,6%, n=132). O segundo estudo, "Corpos Fortes, Lares Frágeis: A Violência Invisível na Vida das Atletas", examina as formas de violência por parceiros íntimos, incluindo pressões psicológicas, sociais e estruturais que afetam a trajetória das esportistas. Observou-se que mulheres que relataram sofrer abuso (CAS) apresentaram maior ocorrência de assédio durante a prática do futsal (13/40,6% vs. 6/5,5%, p=0,024) e durante treinos ou partidas (10/30,3% vs. 9/8,3%, p=0,001), indicando associação significativa entre violência no contexto doméstico e experiências de assédio no esporte. Conclusão: Diante dos resultados analisados, fica evidente que a violência de gênero, manifestada tanto por meio do assédio sexual no ambiente esportivo quanto pela desigualdade estrutural presente no futsal, constitui um obstáculo persistente à participação plena das mulheres na modalidade. A sobreposição entre assédio no esporte e violência por parceiro íntimo reforça a necessidade de ações integradas que promovam prevenção, acolhimento e responsabilização. Assim, torna-se imprescindível investir em políticas que garantam ambientes esportivos e familiares seguros, acolhedores e igualitários, assegurando que mulheres atletas possam exercer sua prática com dignidade, proteção e reconhecimento Abstract: Violence against women manifests in various forms, including physical, psychological, sexual, patrimonial, and moral, in both public and private spaces. In sports, especially women’s futsal, which faces historical barriers and gender stereotypes, the marginalization of women still persists despite Brazil’s international prominence in the sport. Moreover, sports, particularly contact sports, are related to violence, reflecting aggressive behaviors and male dominance, including abuses such as harassment and sexual violence. This study aimed to analyze women’s perceptions of environmental and institutional factors in futsal that may contribute to the occurrence of violence or harassment during sports practice. An observational, analytical, and cross-sectional study was conducted in 2024 with women futsal players, amateur or professional, aged 18 years or older, residing throughout Brazil. Data were collected through an online questionnaire distributed on social media between March and June 2024, using the following instruments: Semi-Structured Questionnaire for Women Futsal Players and the Composite Abuse Scale. Participants included futsal players of various levels—amateur, recreational, or professional—aged 18 or older. A total of 141 women participated in the study. Results are presented in two studies: The first, titled "Futsal is for Everyone: Occurrence of Harassment Experienced by Women in Sport", which investigates the frequency and impacts of harassment within the sports environment, found that the barriers perceived by women to futsal practice were sexual harassment (23.4%, n=33) and inequality in the sport (93.6%, n=132). The second study, "Strong Bodies, Fragile Homes: Invisible Violence in the Lives of Athletes", examines forms of intimate partner violence, including psychological, social, and structural pressures affecting athletes’ trajectories. It was observed that women reporting abuse (CAS) experienced higher occurrences of harassment during futsal practice (13/40.6% vs. 6/5.5%, p=0.024) and during training or matches (10/30.3% vs. 9/8.3%, p=0.001), indicating a significant association between domestic violence and harassment experiences in sports. Conclusion: Inequality in sports and sexual harassment experienced during futsal practice are the main barriers to women’s participation in this sport. Furthermore, it is important to develop measures that support women in sports, ensuring that both their homes and sports environments are free from abuse
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