Grafipar e a Casa das Bonecas : as práticas editoriais dissidentes da Revista Rose : desbunde em tempos de ditadura
Resumo
Resumo: Esta tese tem como objetivo compreender as práticas editoriais envolvidas na construção da revista Rose, com ênfase na atuação de sua equipe de redação, conhecida como Casa das Bonecas, que desafiava as normas de moralidade impostas pelo regime civil-militar. A Rose integra o conjunto de 68 títulos da editora Grafipar, sediada no Paraná e reconhecida por sua produção de histórias em quadrinhos, fotonovelas e magazines eróticas durante o período da ditadura civil-militar instaurada em 1964. O recorte espaço-temporal da pesquisa abrange o período de existência da revista, de março de 1979 (lançamento da primeira edição) a fevereiro de 1983 (última publicação). Com pautas progressistas e voltadas à discussão da sexualidade, os objetivos específicos consistem em: analisar o processo de construção das seções da revista Rose; investigar sua relação com a censura vigente; e registrar os relatos de indivíduos que atuaram na editora, a partir de suas experiências profissionais. O protocolo metodológico propõe explorar o potencial do impresso como acionador de memórias, articulando-o à história oral, com base nas recomendações da metodologia "Fotografia como Disparadora do Gatilho da Memória", descrita por Hoffmann (2010, 2014) e Teixeira (2013). A pesquisa de campo foi conduzida em Curitiba, com cinco entrevistados, utilizando como material de referência a edição nº 70 da revista Rose. A aplicação fundamentou-se em referenciais teóricos de Bosi (1979, 1994), Meihy (1996), Halbwachs (1990), Portelli (2016), Candau (2014), Quinalha (2021, 2022) e Green (2018, 2022). Os resultados obtidos evidenciam o potencial do impresso como mediador da memória individual e coletiva, reafirmando, a partir dos depoimentos colhidos, o papel da Rose como um fenômeno cultural significativo e sua relevância para a história da imprensa paranaense e para a memória do movimento LGBTI+ no Brasil Abstract: This thesis aims to understand the editorial practices involved in the development of Rose magazine, with an emphasis on the work of its editorial team, known as "Casa das Bonecas" (The Dolls’ House), which challenged the norms of morality imposed by the civic military regime. Rose is one of 68 titles from the publisher Grafipar, based in Paraná and recognized for its production of comic books, photo soap operas, and erotic magazines during the civil-military dictatorship established in 1964. The timeframe of this research covers the magazine’s period of existence, from March 1979 (launch of the first issue) to February 1983 (final publication). Featuring progressive topics and focused on the discussion of sexuality, the specific objectives are: to analyze the development process of Rose magazine’s sections; to investigate its relationship with the prevailing censorship; and to record the accounts of individuals who worked at the publishing house, based on their professional experiences. The methodological protocol proposes exploring the potential of the printed medium as a memory trigger, linking it to oral history, based on the recommendations of the "Photography as a Memory Trigger" methodology, as described by Hoffmann (2010, 2014) and Teixeira (2013). Field research was conducted in Curitiba with five interviewees, using issue no. 70 of Rose magazine as a reference material. The study is grounded in the theoretical frameworks of Bosi (1979, 1994), Meihy (1996), Halbwachs (1990), Portelli (2016), Candau (2014), Quinalha (2021, 2022), and Green (2028, 2022). The findings demonstrate the potential of the printed medium as a mediator of individual and collective memory, reaffirming - based on the testimonies gathered - Rose’s role as a significant cultural phenomenon and its relevance to the history of the press in Paraná and to the memory of the LGBTI+ movement in Brazil
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