Os fatores organizacionais do trabalho dos profissionais de enfermagem de um hospital universitário : um olhar para a saúde mental
Resumo
Resumo: Introdução: Este estudo analisou como a organização e o contexto de trabalho influenciam a saúde mental de profissionais de enfermagem em um hospital público universitário do sul do Brasil. Métodos: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, transversal e descritiva, realizada com 181 profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares). A coleta de dados ocorreu por meio do Questionário Saúde e Trabalho em Atividades de Serviço (QSATS), instrumento validado, que avalia dimensões como carga de trabalho, apoio social, ritmo e intensidade laboral, reconhecimento, além de indicadores de saúde mental. Resultados: Os achados revelaram um cenário crítico: mais da metade dos participantes (56,9%) relatou uso contínuo de psicofármacos. A exposição frequente à agressão verbal foi mencionada por 83,4% dos trabalhadores. Além disso, mais de 60% relataram fadiga, ansiedade, insônia e desânimo associados, diretamente, ao exercício profissional. Também foram identificadas exigências físicas intensas, como posturas cansativas, esforço repetitivo e sobrecarga emocional elevada, decorrentes de jornadas exaustivas, múltiplas tarefas simultâneas, ausência de pausas e exposição constante à morte, sofrimento e conflitos interpessoais. A análise do QSATS evidenciou, ainda, que o tempo de serviço se correlaciona com o agravamento dos sintomas psíquicos, especialmente ansiedade e esgotamento. Conclusão: Os resultados reforçam a urgência de ações institucionais que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis, com estratégias de apoio psicológico, valorização profissional e reestruturação organizacional e mostram que cuidar da saúde mental dos profissionais é fundamental para a segurança do paciente, a qualidade da assistência e a sustentabilidade dos serviços de saúde Abstract: Introduction: This study analyzed how work organization and the work context influence the mental health of nursing professionals in a public university hospital in southern Brazil. Methods: This is a quantitative, cross-sectional, and descriptive study conducted with 181 nursing professionals (nurses, nursing technicians and nursing assistants). Data were collected using the Health and Work in Service Activities Questionnaire, a validated instrument that assesses dimensions such as workload, social support, work pace and intensity, recognition and mental health indicators. Results: The findings revealed a critical scenario: more than half of the participants (56.9%) reported continuous use of psychotropic medications. Frequent exposure to verbal aggression was reported by 83.4% of the workers. Additionally, more than 60% reported fatigue, anxiety, insomnia, and discouragement, directly associated with their professional activities. The study also identified intense physical demands, such as tiring postures and repetitive effort, as well as a high emotional burden resulting from exhausting work shifts, simultaneous tasks, lack of adequate breaks, and constant exposure to death, suffering, and interpersonal conflicts. The Questionnaire analysis further showed that length of service correlates with worsening psychological symptoms, especially anxiety and burnout. Conclusion: The results highlight the urgency of implementing institutional measures that promote healthier work environments, including psychological support strategies, professional appreciation, and organizational restructuring. Protecting the mental health of healthcare workers is essential to ensure patient safety, quality of care, and the sustainability of health services
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